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O que distingue as ciências sociais das naturais

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Ter Set 04, 2012 1:19 pm

Pra quem tiver um mínimo de interesse, Ubiratan Iorio, professor da UERJ, está fazendo um curso de economia "for Dummies", pra quem nunca estudou economia, e publicando em 10 lições no site www.mises.org.br. Obviamente eu vou linkar as aulas aqui, pra quem quiser ler, ter acesso mais fácil. Também é bom pra quem já estudou alguma coisa de economia, porque, como eu disse, existem várias escolas que ensinam coisas muito diferentes sobre economia. O Iorio segue a que eu considero mais próxima da realidade, que também é a menos conhecida de todas: a austríaca.

Clique aqui para ler a primeira lição.

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por JoniMancow em Dom Set 09, 2012 8:58 pm

Não sei bem ao certo sobre o que rolou no processo da Apple contra a Samsung. Mas sei que existem alguns boatos equivocados. Aqui irei falar alguns fatos:
A programação para o sistema da Apple é diferente da programação pro sistema Android. Não tem como você "copiar" a programação. Por exemplo, um programa teria que ser basicamente refeito em sua estrutura para ser aceito na outra plataforma sendo que essa "conversão" demanda tempo. A Apple já tinha o protótipo do iPhone desde 2006 mas, como de costume, rolou espionagem e a Apple atribui isso a Samsung pois não teria como ficarem tão iguais em sua interface. Seria como ter dois Assasins Creed para plataformas diferentes sendo que as suas produtoras são concorrentes. Fica evidente que ocorreu espionagem de código e ideias. A Apple aproveitou essa deixa pra ir com tudo contra a Samsung.

A falha da demora pra Apple lançar as coisas é o que lhe da o diferencial frente as outras. Ela não lança a novidade logo de primeira. Ela vai enquadrando para que já chegue na mão do consumidor numa boa. Tanto que pc Apple é indicado para quem trabalha com vídeo, animação, artes gráficas e etc trabalhos no pc, dai os fãs dos pc Apple. Pra coisa seria que exige demanda a Apple é muito melhor mas pra jogo é uma tosqueira. Dica para qualquer um: Se for comprar um Apple por placa de vídeo compre pensando em trabalho e não em jogo. Não recomendo comprar um Apple pra usar Excel, word, power point e similares. Recomendo o uso do Apple em coisas serias que utilizem muita performance do pc.

Olha a zoeira que ficou...
http://www.tecmundo.com.br/iphone-5/29472-hora-do-troco-clone-chines-do-iphone-5-quer-processar-apple-por-quebra-de-patente-do-iphone-5.htm


Software livre já tem aos montes. Mas o que o povo quer usar? O que tem mídia. O que tem fama. Os caras que tiveram o trabalho de criar o software livre se fuderam ai pois o povo não quer saber deles Sad mas querem que os pagos virem free Laughing. Quem aqui usa Linux? Quem aqui usa LibreOffice? Ironicamente só os programadores que costumam usar software livre. Na real o que o povo quer é a sensação de ter pago $$$ gerando uma sensação de ter comprado algo melhor. Eu penso da seguinte forma: "Se tem paga se não tem não paga até ter". Ao meu ver os software pagáveis são:
1- Sistemas operacionais.
2- Os que são necessários para o seu empreendimento que visa lucro.
3- Jogos (Patrocínio).
4- Programas bons (Patrocínio).

Patrocínio:
Olha a ironia. Quem diz gostar menos de games é justamente quem mais sustenta a industria dos games. Não é atoa que Zynga lucra tanto quanto a EAgames. Agora a pergunta. Qual desses dois jogos demanda mais tempo de criação, elaboração de estória e enredo, programação, design gráfico, dinheiro, etc etc etc e rende mais dinheiro. Crysis ou FarmVille? Quando você compra um jogo bom você está patrocinando esse jogo para que amanha ele volte.
A industria dos games, principalmente de pc, já sacou qual é a parada que os jogadores "querem":
Preferem jogar um jogo tosco "demo" e pagar $30 por UMA roupa super tunada que faz você se tornar o fodão frente aos que não pagaram do que pagar $100 no jogo completo. Igual traficante. Deixa você experimentar as primeiras de graça e depois quando você quiser mais tem que pagar ou vai ser o deslocado do grupo dos viciados. No fim os criadores do jogo deixam o seguinte subentendido: "Quer mandar bem no jogo sem pagar cash? Hahahaha Muda de bar, troxa." Exemplo disso é Levelup. No fim quem vai acabar mudando de bar não são eles e sim nós que apreciamos o bom jogo. Temos que patrocinar antes que seja tarde demais.

Kusanagi escreveu:Se sentir incompetente dói pra caralho, é mais fácil botar a culpa nos outros, especialmente no sistema.

http://www.tecmundo.com.br/mega-curioso/27209-por-que-sempre-vemos-os-erros-dos-outros-mas-nunca-os-nossos-.htm


A pesar da austríaca ser a mais real frente as outras ela ainda deixa uma lacuna gigantesca diante de grandes problemas que nos atrapalham e que certamente iriam atrapalhar a ela também. Depois eu posto explicando esse problema que impede que o mundo seja dessa forma que você tem falado tanto aqui.

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Dom Set 09, 2012 10:21 pm

JoniMancow escreveu:A pesar da austríaca ser a mais real frente as outras ela ainda deixa uma lacuna gigantesca diante de grandes problemas que nos atrapalham e que certamente iriam atrapalhar a ela também. Depois eu posto explicando esse problema que impede que o mundo seja dessa forma que você tem falado tanto aqui.

Antes de fazer isso, só te peço um favor: passe pelo menos um mês lendo todo dia os artigos publicados diariamente neste site (clique), e dando uma conversada nos comentários pra ver outros artigos que levam a artigos com considerações extremamente interessantes sobre todos os temas ligados à economia à luz das teorias dos austríacos.

Eu mesmo vejo duas questões problemáticas sobre a escola austríaca, mas acho que ela é boa o bastante pra se abandonar as outras (que além de possuírem os mesmos problemas, ainda trazem idéias que prejudicam mais do que ajudam) e, talvez, criar uma nova maneira de se entender economia a partir dessas idéias.

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por JoniMancow em Seg Set 10, 2012 1:39 am

O problema não é econômico.
Problema econômico que eu vejo, e que compartilha com o atual, é possíveis monopólios e que se uma empresa quiser ter lucro alguma tem que ter prejuízo.

Mas a questão não é essa. O problema da questão é tratar a empatia como algo moral. As pessoas não sentem empatia por aqueles que não conhecem/não veem. As pessoas pouco se importam com o que acontece "lá" pois elas só conhecem aqui. O cérebro demanda uma identidade coletiva para se sentir satisfeito. Quanto maior a empatia mais você vai querer interferir na vida do outro e até mesmo, dependendo do caso, querer que o desconhecido se dane pois incomoda a sua "identidade". E o cara que não tem empatia e quer viver a vida dele como o proposto? Ai é o psicopata. Laughing

As pessoas são apegadas a grupos que tem algo em comum e irão brigar por elas. Seja time de futebol, gosto musical e até mesmo tosqueiras como ps3 vs xbox. Você pode polir sua mente através de conhecimento até conseguir fugir em partes dessa necessidade especifica "governo". Mas as outras pessoas não irão polir a sua mente nessa questão. Seja por falta de ensino ou por ter excesso de ensino/informação no mundo fazendo com que as pessoas se tornem cada vez mais especificas ou até mesmo por não quererem que acabem com o governo. Essas pessoas, que são a grande massa, querem uma identidade. Se sair o governo um outro volta. Pode ter outro nome e outros esquemas mas vai ser um equivalente. Logo quem está por cima ira perceber que pra sustentar essa identidade é necessário dinheiro e logo os impostos voltam.
A melhor coisa a fazer é ajustar o governo na melhor forma possível. Alem disso o governo enquadrado é o único que pode fazer frente aos psicopatas comunitários. Epa!!! Falou em psicopata falou em assassino? Não. Você sabia que 4% dos homens são psicopatas comunitários?
Esses 4% sentem menos empatia por ter amígdala menor que o normal, igual ao de um piradão. A diferença é que ela ainda se comunica com o lóbulos frontais só que é tão fraca a comunicação que na pratica ele quer que tudo se dane mas sem pirar.
E o que isso tem a ver? Tudo.
O perfil de um homem de sucesso é o perfil de um psicopata comunitário. Tem iniciativa, inteligencia, ambição, flexível, suporta mais pressão, pensamento rápido e logico, boa aparência, cativante, bom influenciador, oportunista, etc etc etc... Ganham literalmente a confiança e credito de todos os normais ao seu redor devido a sua incrível capacidade de dissimulação. Foram pesquisar o cérebro de grandes empresários, políticos e executivos e olha no que deu. Na política brasileira eles prosperam e o pior é que é genealógico. Neurologicamente falando, eles não vão deixar passar a oportunidade de serem os novos "Reis" e vão ganhar a confiança do povo e ai é um abraço. Como vai ser o novo sistema eu não sei, só sei que vai ter algum sistema.

Hoje em dia temos um governo "estabilizado e pacifico". O mais correto nesse caso é ajusta-lo.

Amígdala curiosidades:
É considerada a janela do sistema límbico, onde se vê o indivíduo no mundo; (Os sentidos) Tem bicho que sem ela se torna dócil. Mas no homem ele se torna um se fode ai que eu quero saber só de mim.
Pode, ao ser estimulada, causar algumas experiência comportamentais como: prazer, raiva, sexualidade, medo;

Sistema límbico curiosidades:
É o que usamos para pensar logicamente.
É onde criamos nossa personalidade levando em consideração dados fornecidos de outras partes do cérebro.

Nosso cérebro é o mesmo de alguns mil anos atrás. Não foi feito pro mundo atual. Recomendo não o subestimar.

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Seg Set 10, 2012 8:53 pm

Isso era o problema da EEA (Escola Austríaca de Economia)? Tipo... eu falei pra você ler aquele site por pelo menos um mês porque eu estudo as teorias austríacas e libertárias por mais de um ano, e pra quase todos os argumentos contrários que meu cérebro formulava, já havia contra-argumentos com base muito sólida formulados e apresentados. Muitos eram extremamente desagradáveis emocionalmente, mas pode acreditar que o arcabouço teórico tem alicerces muito sólidos e densos. Eu mesmo gostaria de voltar a escrever em meu blog, com a maneira de pensar que eu adquiri depois desse estudo, mas sinto que meu conhecimento sobre esses assuntos ainda é muito superficial pra eu escrever a respeito, por isso só escrevo aqui. Very Happy As falhas que eu vejo na EEA são outras.

De resto, concordo com uns 85 a 90% do que você escreveu no post de hoje, e a essência do que você escreveu bem como seus motivos (diferentes dos que você escreveu) estão bem desenvolvidas em muitos artigos no site do IMB. As partes que eu discordo são:

1) O estado não é inevitável, apesar de ser praticamente inevitável. Mas assim como a escravidão, que durou desde o início da civilização humana, há uns 10(?) mil anos, talvez mais, até há menos de 200 anos atrás, quando começou a ser abolida. Ou seja, a abolição da escravidão é um evento extremamente novo, tanto que até hoje há confusão quanto ao que seja trabalho escravo.

2) Também sou a favor de ajustar o estado, e 100% da população concorda com isso. O problema é que cada membro da população possui uma maneira diferente de ver o estado, e na democracia, todos tentam ajustar o estado à sua maneira, assim, numa democracia, o estado vai agradando às maiorias (naturalmente mais pobres e menos informadas), e tornando estas cada vez mais dependentes do estado, o que gera o próximo problema. O próximo problema é que a história prova que, não importa a quantidade ou o tipo de ajustes que sejam feitos, o estado tende sempre a crescer, até provocar uma crise que leva ao colapso do sistema, reduzindo radicalmente o estado... onde, então, ele reinicia sorrateiramente seu ciclo de crescimento.

3) A ideia de que pra uma empresa ter lucro outra(s) precisa(m) ter prejuízo é inerentemente errada. Todas as empresas que sobrevivem no mercado têm lucro a maior parte do tempo, e, digo mais, nos sistemas econômicos inflacionários que existem em todo o mundo, os lucros são (quase) sempre crescentes. Prejuízos ocorrem quando empresas são mal administradas ou o mercado muda mais rápido do que elas, tornando seus produtos obsoletos. Lucros advém de uma coisa simples: a diferença de preços entre o total de produtos/serviços que uma empresa consegue vender e o custo total da produção desses.

O que você quis dizer é que, pra uma empresa ter lucro, suas concorrentes terão de ter suas RECEITAS REDUZIDAS, e isso realmente é verdade, e com certeza nenhuma empresa lucra tanto quanto seus donos gostariam, mas quem disse que isso é ruim? O capitalismo real, livre, gera margens de lucro decrescentes no tempo, o que estimula a busca contínua de inovações para se poder ter lucros maiores por algum tempo... até que suas inovações são copiadas.

No capitalismo "sujo" (com intervenção do governo) em que o mundo vive, acontece coisas como a Apple processando a Samsung por copiar o design de seus produtos. Claro, porque fazer um tablet cujo design seja apenas uma tela de um lado e um anteparo branco do outro tem que ser exclusividade da Apple! O esquema de ícones dela - que ela roubou de outro sistema - também tem que ser exclusividade dela, né? Esses absurdos só existem porque o estado se mete na economia, coisa que não devia fazer. Essas intromissões fazem com que empresas ineficientes consigam sobreviver por mais tempo do que deveriam, e retardam ajustes que empresas menos eficientes deveriam fazer em seus produtos e modelo de negócios. E todos os cidadãos saem perdendo com isso.

Eu também sou a favor de ajustar o estado, mas o ajuste que eu proponho é simples: reduzí-lo. Reduzir a burocracia, reduzir a regulação, e mais importante de tudo: reduzir os impostos.

O que você disse sobre monopólios existe apenas por um motivo: o estado concede monopólios a certas empresas por um suborno. Opa! Na verdade por uma taxa paga pela concessão de uma rodovia, ou da distribuição de eletricidade em um determinado local. Embora empresas tentem se tornar monopolistas, num mercado livre, elas não conseguem, porque lucros altos atraem naturalmente concorrência.

Um exemplo concreto: a única empresa que fornecia oxigênio líquido no Brasil até o fim da década de 1990, salvo engano, era a White Martins. Outras empresas tentaram entrar no jogo, mas o que ela fazia? Abaixava o preço até quebrar as empresas pequenas que tentavam entrar. Claro que não costumam haver muitos casos de sucesso com "indústria química" e "empresa pequena" na mesma frase, logo, algumas pequenas empresas quebraram, exatamente como se lê em livros de economia tradicional. O que não está escrito nesses livros é o óbvio: durante esses períodos de redução de preços, todos os hospitais e outras indústrias que usam oxigênio líquido eram beneficiados a WM se fodia ae (embora voluntaria e "maliciosamente"). Até que o também óbvio aconteceu: uma gigante do setor - a francesa Air Liquide - resolveu fazer queda de braços com a White Martins. Por muito tempo a indústria de saúde se beneficiou de preços excessivamente baixos em suas compras de oxigênio líquido, enquanto ambas as empresas consumiam seu caixa. Então, o que aconteceu? Elas resolveram parar de babaquice e concorrer normalmente, ambas com suas margens de lucro bem menores do que era a da White Martins antes. Talvez já tenha até entrado uma terceira empresa na jogada... Quem ganhou? Em última instância, o povo, que consome serviços de saúde o tempo todo.

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Ter Set 11, 2012 2:22 pm


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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por JoniMancow em Ter Set 11, 2012 2:50 pm

Kusanagi escreveu:Isso era o problema da EEA (Escola Austríaca de Economia)?

O problema não é a EEA. O problema é adaptar ela ao mundo. Ao meu ver o governo é como um rio que querem atravessar a pé e sem se molhar.

Alicerces muito sólidos e densos são subjetivos. Lula, Netinho, Jean do BBB, Bispos, entre outros também conseguem passar alicerces muito sólidos e densos. A construção de um alicerce não precisa seguir lógica. Basicamente essas construções seguem o conveniente. Chega a ser uma luta desleal entre lógica x conveniente. O conveniente gruda em todos nos e é difícil de tirar. Mas o que eu vejo é um pensamento de que com a simples lógica é possível desdobrar as pessoas. Me desculpe mas eu não acredito nisso. Ao meu ver a solução é enquadramento do governo e "espetadas" para fazer com que as pessoas larguem o conveniente. Nesse momento quebramos a "liberdade suja" para se ter uma "liberdade limpa" mas que não é liberdade. Não tendo liberdade efetiva já quebra o conceito de liberdade pregada pela EEA.

Segue um exemplo de conveniência que eu achei no próprio site que você insiste que eu leia, e que eu leio:

"Manuela me respondeu que estranhava minha pergunta, pois ela considera o transporte coletivo, no caso de Porto Alegre, privado, sendo empresas privadas que operam cada linha. Estranhei mais ainda a resposta, já que sabemos que é quase impossível conseguir uma licença e todas as empresas que atuam em Porto Alegre são concessões estatais altamente reguladas, que devem ainda seguir o padrão da Carris, a empresa pública de transporte. Tentei continuar a conversa perguntando pelo Twitter "como posso inovar em transporte coletivo com licenças limitadas, cargas, tarifas e rotas controladas?", mas infelizmente não tive resposta."

Não sou otimista a ponto de achar que lógica ganha do conveniente. As próprias empresas fogem da lógica e buscam vender seguindo o conveniente. Por exemplo uma pesquisa onde homens eram separados em dois grupos e cara grupo iria ver uma propaganda. Era uma propaganda feita pra cada grupo e falavam do mesmo produto. Uma das propagandas falava de forma lógica os benefícios e a outra fazia o estilo propaganda de cerveja com mulheres. A conveniência do homem escolheu as mulheres e o resultado disso foi que a propaganda com mulheres teve maior aceitação e "número de compras" entre os testados.
A arvore do conveniente é regada e ela cresce pra todos os lados. Falando de forma geral não tem essa de crescer pra um lado mas para outro não. Se todas as pessoas tivessem pensamento lógico a forma de mercado iria mudar bruscamente.
O resultado disso é uma situação em que é ruim ficar parado, ruim andar e ruim voltar. Faz parecer que o normal é ser conveniente e o anormal é o que pensa com lógica. Talvez venha dai a frase "a ignorância é uma benção".



Kusanagi escreveu:
O que você disse sobre monopólios existe apenas por um motivo: o estado concede monopólios a certas empresas por um suborno. Opa! Na verdade por uma taxa paga pela concessão de uma rodovia, ou da distribuição de eletricidade em um determinado local. Embora empresas tentem se tornar monopolistas, num mercado livre, elas não conseguem, porque lucros altos atraem naturalmente concorrência.

Eu deveria falar monopólio e corporativismo empresarial:
http://www.tecmundo.com.br/telefonia/27203-por-que-as-operadoras-de-telefonia-atrasam-a-evolucao-dos-celulares-.htm

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Ter Set 11, 2012 3:16 pm

Cara, tu tá confundindo duas coisas: EEA e Doutrina Libertária. A primeira é um conjunto de teorias, cujos primeiros autores foram austríacos (daí o nome de "Escola Austríaca") a respeito do comportamento humano e de suas consequências no que tange às relações econômicas. A segunda é uma doutrina POLÍTICA que, com base na EEA, e nas doutrinas do Direito Natural e do Direito Negativo (em aposição à do "direito positivo"), e em mais um arcabouço teórico-filosófico, conclui que o melhor e mais eficiente sistema social que existe é o livre mercado, onde todas as pessoas são livres pra fazerem o que quiserem, desde que arquem integralmente com as conseqüências de seus atos, indenizando a quem quer que tenham prejudicado às últimas consequências (se preciso), ou sendo titulares de 100% dos lucros provenientes de suas ações.

Como acabar com o estado? Este artigo (clique) propõe uma idéia que, embora pareça possível, eu considero muito otimista. Ainda assim, um raio de esperança.

De resto, tudo o que você disse também está dito em vários artigos do Mises, como esse aí que acabei de linkar. As pessoas REALMENTE escolhem o que é mais conveniente, e suas escolhas não são racionais. Eu ainda digo que nós somos animais adestrados, e nenhum animal é racional, exceto quando conseque ser. Mesmo assim, toda a racionalidade é dirigida pelo instinto, mas foda-se isso, porque isso não está em questão, e sim as consequências disso. Também acho quase impossível acabar com o estado, mas acho que adianta menos tentar "ajustá-lo". O único ajuste que eu acho válido tentar é reduzí-lo tanto quanto for possível. Ponto. Todos os outros serão prejudiciais à coletividade.

A Escola Austríaca de Economia não tenta mudar o mundo, ela apenas explica as consequências dos atos dos indivíduos e do estado sobre a economia. A EEA é a única que define o estado pelo que ele é (uma entidade que detém a soberania militar e/ou monetária sobre um determinado território), não pelo que ele deveria ser. Na boa, cara, vai lá e lê. Eu não divulgaria se fosse um monte de merda! Eu sempre gostei de teoria econômica, mas quando entrava em Macroeconomia, eu achava uma maluquice do caralho que não se encaixava na realidade. Não com a realidade de negócios que eu tinha estudado e vivido como administrador.

Quando estudei o sistema financeiro, achei a construção mais ridícula da humanidade. Depois de estudar a EEA, eu entendo os porquês de eu ter achado essa maluquice. Porque tudo isso é um construto monstruoso que tem um único fim: financiar o estado. Às nossas custas!

Com certeza acabar com o estado é uma idéia louca que, mesmo que cole, levará décadas pra ser executada, mas acho fundamental que todas essas fraudes que nós fomos treinados pra acreditarmos serem legítimas, sejam denunciadas. Você discorda disso?

Ao mesmo tempo, não concordo 100% nem com a EEA nem com a doutrina libertária. Especialmente com a doutrina libertária (senão não trabalharia no BNDES). MAS, pra explicar como uma economia funciona, a EEA é de longe o melhor arcabouço teórico que existe. Ela explica, inclusive, por quê o BBB faz sucesso e por quê músicos ruins conseguem fazer fortuna. Inclusive por quê músicos merdas ganham um dinheio muito bom por muito pouco tempo, ao passo que grandes músicos ganham dinheiro por décadas. Explica também, o porquê dessa relação simbiótica entre operadoras e fabricantes de aparelhos telefônibos, e também explica como reduzir o poder das operadoras sobre as fabricantes. Mas eu acho que esse artigo tá otimista demais quanto à velocidade de lançamento de tecnologia. Verdade que as empresas têm condições de apresentar lançamentos de telefones mais depressa, mas isso só é possível se o VPL (clique aqui, quem não souber do que se trata) desse lançamento for positivo, incluindo os custos de desenvolvimento, marketing e uma estimativa de redução da receita de vendas dos modelos anteriores. Não depende só da capacidade da empresa em lançar uma nova tecnologia. O mercado é soberano! Sempre!

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por JoniMancow em Ter Set 11, 2012 5:14 pm

Você que confundiu. Eu não critiquei o EEA. Eu critiquei a forma que ela estava sendo passada através de coisas que dão a entender que todo o governo é desnecessário. Seja em seus post ou até mesmo pelo site.

O argumento utilizado na questão do conveniente é distorcido como no exemplo abaixo da aula 1:

"Em outras palavras, uma economia em que o estado não exerça controles. Esses controles, como veremos oportunamente, são sempre maléficos, ao contrário do que, com certeza, ensinaram você a acreditar."

"Como o homem nasceu para ser livre, para viver uma liberdade responsável, as melhores instituições para estimularem a melhoria do padrão de vida das pessoas são a liberdade de escolha ou economia de mercado e a propriedade privada."

Eu li e discordei prontamente. Tem muita verdade nisso, porém não dessa forma radical.
Os meus argumentos nos posts passados foram justamente dar uma razão ao governo pois até então o que eu via era "ou não falo nada ou comento contra". Até agora não vi algo que diga "o governo é pro por isso". Isso me deu a entender que você tinha uma visão de total liberação e estava passando ela adiante. A partir desse momento que eu resolvi questionar e postar a minha visão.

Eu li a aula 1, li aula 2 antes de você postar aqui, li N posts e o que eu via era uma coisa excepcional mostrando que o buraco é muito mais em baixo porém pecando no fato de ser radical na questão do libera geral. Na hora do ensinamento tanto o EEA quanto a Doutrina Libertária estão sendo passadas como uma só. Meus posts buscavam justamente cortar essa linha. Tanto é que em outro post eu disse que o problema não era econômico.

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Ter Set 11, 2012 9:53 pm

É porque o objetivo final do site é divulgar a doutrina libertária. O ensino das teorias austríacas é apenas uma ferramenta pra isso. Entretanto, somos adultos. Quando éramos crianças e adolescentes, fomos doutrinados pelos nossos professores de história e geografia (e uma colega minha católica ainda culpou os sermões de seu padre) que os ricos eram ruins, que os empresários eram exploradores, que os trabalhadores eram explorados e que só o governo podia salvar os pobrezinhos dos porcos exploradores. Hoje que somos adultos, sabemos (ou deveríamos saber) separar as coisas. Uma coisa é a idéia dos outros, outra coisa é a minha. Eu posso mudar de idéia com argumentos apresentados pelos outros, mas é responsabilidade minha separar quais idéias prestam (e comprá-las) das que não prestam (e desconsiderá-las). Sei que isso vale pra vocês.

Quando fiz minha faculdade de administração, aprendi que manter uma empresa funcionando bem é difícil pra caralho, e que estabelecer uma do zero é muito mais. Aprendi que é melhor uma empresa demitir 20% de seus funcionários e ajustar sua gestão pra depois voltar a crescer do que falir e com isso colocar 100% de seus funcionários na rua. Aprendi que existem dois tipos de pessoas: as que gastam mais do que ganham e as que ganham mais do que gastam, e que a diferença entre uma e outra era de personalidade, não de salário. As do primeiro grupo sempre são empregadas, as do segundo grupo ou são empresários ou são investidores, e por motivos óbvios sempre vão ter mais. Ao mesmo tempo, aprendi que se não houvessem investidores, TODOS teriam que ser investidores e arcar com 100% dos riscos de seus negócios, mesmo os que não têm nenhum perfil pra isso. Aqui já morre o mito da exploração em que nos ensinaram a acreditar desde crianças.

Junto com isso, aprendi que uma pessoa só é empreendedora ou investidora se isso for benéfico a ela, afinal, todos só querem o que é melhor pra si próprio. Nós só pensamos no bem dos outros quando isso nos afeta, por isso as primeiras pessoas em quem pensamos são nos nossos entes queridos. Talvez a maioria dos pais pense em seus próprios filhos antes de pensarem em si mesmos. Motivo: interesse (sentimental, não material nem racional) total na criança.

Assim, qual seria o melhor papel que o governo pode desempenhar na economia? Estimular as pessoas que têm potencial de empreender a fazê-lo. Era o que eu pensava, até ler as teorias econômicas dos austríacos, e elas fazerem total sentido tanto com o que eu aprendi na faculdade de administração, quanto com o que eu vi e vivi trabalhando em empresas, mesmo sendo estatais. Daí eu percebi que - sim - qualquer intervenção do estado na economia é negativa. Até mesmo oferecer saúde pública. Se você procurar a saúde privada no Brasil, vai ver que ela é uma merda. O motivo é que os médicos não conseguem cobrar os preços que querem. Há dois motivos pra isso:

1) Alta regulação no mercado de seguradoras ("operadoras de planos de saúde"), que por serem obrigadas pelo governo a cobrir cada vez mais coisas em seus planos, e não conseguirem aumentar seus preços indefinidamente (Grande ANS!), têm que espremer os médicos, reduzindo seus rendimentos e, no limite, até a procura pela profissão.

2) Saúde pública, que estabelece um piso pra todo mundo. Todo mundo tem uma cobertura mínima garantida, ainda que seja uma merda de cobertura. Ninguém precisa pagar diretamente por esta cobertura. Paga quando trabalha e paga imposto de renda, paga quando compra produtos e tem impostos embutidos no preço. Não fosse só por essas duas coisas, a população pobre teria uma renda disponível maior mais do que suficiente pra contratar um plano de saúde que desse um atendimento talvez até melhor que o da saúde pública, mas não cobriria todo e qualquer tratamento.

Óbvio que quando se pensa em saúde pública, o emocional é ligado no cérebro, e qualquer argumento contrário soa como um filho da puta que quer que os pobres morram, mas eu já pensava há muito tempo que era melhor extinguir a saúde pública (e, sim, eu já precisei dela, e num estado onde a saúde em geral é uma das piores do país!!!) e extinguir impostos de modo a dar a todo mundo condições de pagar um plano de saúde.

É interessante que ninguém acha egoísmo por parte dos médicos eles quererem ganhar mais. Todo mundo acha isso certo, acha que o médico deve sim ser melhor remunerado, afinal todo mundo é plenamente consciente da importância dessa profissão. Mas se eu formular a pergunta "Você acha egoísta um médico se recusar a atender parte de seus pacientes?", todos vão dizer "Claro que sim!". Ao fazer isso, se cai em clara contradição, pois pra ganhar mais, os médicos precisam cobrar mais caro, e ao fazer isso, vários dos seus antigos pacientes perderão acesso a consultas e tratamentos. Todos querem se beneficiar de um sistema de saúde melhor, mas ninguém acha legítimo um médico querer trabalhar menos, passar mais tempo com a família, todos acham que médico tem que ser escravo. Ninguém pensa que se o médico não o fosse, eles nem teriam acesso aos diagnósticos e tratamentos, e que deveriam agradecer aos médicos por terem estudado como loucos, se sacrificado como loucos e por aceitarem atender pacientes, mesmo cobrando muito caro!

A doutrina libertária tem a GRANDE, MAGNÂNIMA virtude de esclarecer esses fatos, por isso eu vou divulgá-la! Óbvio que não se trata da verdade, apenas de uma visão de mundo, porém, uma visão de mundo com um embasamento BEM MELHOR do que a maioria que somos ensinados desde pequenos.

Voltando ao IMB, eles têm um motivo pra serem radicais. Talvez não seja a melhor estratégia, mas é a única forma deles se manterem coerentes com o ideal que tentam divulgar. MAS, devido à natureza humana que você descreve relativamente bem, eles acabam criando dois grupos: os antipatizantes e os simpatizantes arrogantes. Ah, sim, tem um grupo muito inexpressivo e insignificante que são as pessoas que simpatizam com as idéias mas conseguem sublimar a arrogância natural advinda de se ter certeza absoluta de alguma coisa.

Concluindo, eu continuo recomendando a leitura. Ressalto novamente que cada um é responsável pela própria mentalidade. Quem quiser se tornar parte do grupo antipatizante, vai tender a se tornar uma ovelhinha sempre governada pela vontade alheia. Quem se tornar parte do segundo grupo, vai tender a se tornar uma ovelhinha sempre guiada pelas idéias alheias. Quem quiser fazer parte do terceiro grupo, junte-se a mim e vamos conquistar a China numa suruba de execuções! Laughing

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Qui Set 13, 2012 8:04 am

Voltando à nossa amiguinha Apple, quero ver a merda que isso vai dar:



Até porque a Nokia gosta tanto de processar concorrentes que a copiam quanto ela. Espero que tenha a mesma repercussão na mídia.

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Qui Set 13, 2012 11:16 am

Shit just got serious.


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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Seg Set 17, 2012 2:00 pm

Mais uma lição:

O original (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1410) possui links pras referências, a quem se interessar MESMO. XD

Dez lições de economia austríaca - Terceira lição: ação, tempo e conhecimento
por Ubiratan Jorge Iorio, segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Rascunhamos na aula anterior o conceito de ação e podemos agora defini-lo: ação, para a Escola Austríaca de Economia, é qualquer ato executado voluntariamente com o objetivo de aumentar a satisfação de quem o executa. Como vimos na aula anterior, os agentes — isto é, aqueles que agem, sejam eles consumidores, produtores, investidores, poupadores, exportadores, importadores etc. — quando o fazem o fazem por meio de escolhas, considerando que os fins sempre suplantem os meios, ou seja, que as escolhas são feitas em meio à escassez.

Toda a ação nos mercados pressupõe, então, uma escolha feita em um determinado momento, tendo o agente a posse de alguns meios e tendo em vista determinado(s) fim(s). A teoria econômica supõe, com toda a razão, que todas as ações são realizadas com a expectativa de que, caso sejam concretizadas, venham a aumentar a satisfação (ou utilidade, na linguagem dos economistas) dos agentes. Ninguém age para piorar, é isso o que queremos dizer.

Agora uma pergunta que pode parecer complicada: e uma pessoa que decida que vai suicidar-se pulando de um edifício alto? Essa pessoa estará agindo da forma como definimos, isto é, pensando que se suicidar vai aumentar a sua satisfação? A resposta é sim! Porque seus sentimentos subjetivos estão tão abalados que ela pensa que a morte é a melhor solução. É claro que ela está errada, mas no momento em que decide tirar a própria vida ela não percebe isso.

Da mesma forma São Francisco de Assis, quando mandou distribuir os bens de seu pai, um rico comerciante, aos pobres, praticou aquela ação porque achou, de acordo com sua valoração subjetiva, que aquela ação lhe proporcionaria uma satisfação muito grande. O postulado da ação humana, portanto, é universal! Toda ação é executada no intuito de se aumentar o estado de satisfação.

Podemos refinar agora um pouco: toda ação é executada porque quem a executa acha que se a executar sua satisfação vai aumentar. O agente pesou e repesou meios e fins, considerou suas valorações e decidiu-se por aquela ação — por exemplo, comprar um tênis da marca X. Mas pode acontecer que, depois de ter praticado a ação, ou seja, depois de ter comprado o tênis, ele venha a perceber que a qualidade o mesmo não era boa, ou que poderia ter pagado um preço bem menor pelo mesmo modelo em outra loja. Em outras palavras, como o nosso conhecimento de todos os fatores que devem ser considerados ao se fazer as escolhas sempre é incompleto, além de estar distribuído desigualmente entre os agentes, ocorre que as ações acontecem na imensa maioria das vezes em ambiente de incerteza, o que significa que a ocorrência de erros costuma ser comum.

A economia do mundo real, portanto, nada mais é do que o conjunto de todas as ações — compras, vendas, empréstimos, decisões de produção, de poupança, de investimento etc. — realizadas sob a forma de transações econômicas, que envolvam escolhas.

Acontece, porém, que essas escolhas não são fixas no tempo! Imagine que você não suporta ouvir músicas sertanejas, mas que um belo dia começa a namorar a filha de um rico fazendeiro do interior de São Paulo. Sua valoração quanto às músicas sertanejas muda: você, influenciado por fatores não econômicos, como a paixão, passa a comprar CDs e DVDs de todas as duplas sertanejas que encontra nas lojas. Seis meses depois, vocês terminam o namoro. Muito provavelmente, você jogará no lixo todos os CDs e DVDs que comprou enquanto estava apaixonado. Portanto, sua escala de valores alterou-se duas vezes em poucos meses. E isso acontece com boa parte dos bens e serviços que temos que valorar ao longo de nossas vidas (felizmente, porque senão a vida será mais entediante).

A passagem do tempo, portanto, tende a afetar sensivelmente e de maneira muitas vezes imprevista as nossas escolhas. O tempo pode ser definido como um fluxo permanente e contínuo de novas experiências: é como se o nosso estoque de conhecimentos e de interpretação desses conhecimentos estivesse armazenado em um tanque e o tempo fosse algo como uma torneira despejando novos conhecimentos e novas interpretações a esse estoque, que vai, então, se modificando permanentemente; e isso influencia as ações ao longo do tempo. Por exemplo, se você gosta muito de chocolate e come de uma vez só duas barras daquelas maiores, provavelmente vai sentir dores na barriga. Na próxima vez, dificilmente você comerá duas barras de uma só vez.

Outro exemplo: quando você tinha cinco anos, o valor subjetivo que atribuía a um velocípede certamente era maior do que o que atribui hoje a ele, porque o tempo passou e suas perspectivas, sua memória, sua antecipação foi alterando o seu conhecimento e a maneira de interpretar esse conhecimento também se alterou.

Vamos refazer nossa definição de economia, então: a economia do mundo real, portanto, nada mais é do que o conjunto de todas as ações — compras, vendas, empréstimos, decisões de produção, de poupança, de investimento etc. — realizadas sob a forma de transações econômicas, que envolvam escolhas ao longo do tempo.

Por fim, temos que considerar que, como ensinou o grande economista austríaco Hayek, o nosso conhecimento (aquele necessário para decidirmos as ações econômicas que escolheremos) possui duas características: primeira, ele é incompleto; e segunda, ele está espalhado de maneira desigual entre os participantes dos mercados.

Ora, se nosso conhecimento é incompleto, ele é insuficiente, então, para que possamos tomar todas as decisões envolvendo uma ação com certeza absoluta de que serão as decisões corretas. E se ele está distribuído desigualmente entre os participantes dos mercados, isso significa que alguns terão informações mais apuradas do que outros, o que irá com certeza afetar o grau de acerto/erro das decisões. Por fim, observe que, mesmo se todos os participantes em um mercado tivessem exatamente as mesmas informações, o mesmo conhecimento, cada um deles interpretaria essas informações e conhecimentos de maneira absolutamente única, individual, porque somos racionais, temos gostos e preferências próprias, valorizamos a posse de dinheiro de maneiras diferentes, somos influenciados por fatores externos diferentes, somos, para resumir, diferentes.

A conclusão disso é que sempre vai existir uma incerteza característica ao processo de escolher quais as melhores ações, tanto no campo da economia como nos outros campos da vida humana. Essa incerteza que está presente na ação humana, por mais racional que esta possa ser, não é uma incerteza que se pode medir com números, como, por exemplo, quando dizemos que a probabilidade de dar "cara" quando lançamos uma moeda para o ar muitas vezes será de 0,5. No caso da ação humana nos mercados, trata-se de uma incerteza que chamamos de incerteza genuína, à qual não podemos associar números nem estimativas. O corolário da incerteza genuína é a ignorância: temos que admitir que, por mais estudados que possamos ser, sempre seremos ignorantes de algumas condições específicas (de momento ou não) e que seriam relevantes para que a nossa ação não contenha erros.

Podemos agora finalizar nossa definição de economia, escrevendo: a economia do mundo real, portanto, nada mais é do que o conjunto de todas as ações — compras, vendas, empréstimos, decisões de produção, de poupança, de investimento, etc. — realizadas sob a forma de transações econômicas, que envolvam escolhas ao longo do tempo, realizadas em ambiente de incerteza genuína.

O erro, a incerteza genuína, a ignorância, o fato de que nossas valorações mudam com o tempo e outros fatores muito complexos e que não se restringem apenas à economia fazem com que tenhamos que considerar que estudar economia não é o mesmo que estudar uma ciência natural. Por isso, temos que ter muito cuidado quando usamos a matemática para descrever o comportamento econômico, pois a economia não se presta a isso: nenhum modelo matemático poderá explicar porque você preferiu comprar uma camisa do seu clube de futebol, ao invés de comprar a de um clube rival.

A Escola Austríaca rejeita o uso da matemática na economia porque usa o critério hipotético dedutivo (e não o indutivo) e porque adota o falsificacionismo, em que formulamos uma teoria com base em argumentos lógicos e consideramos que essa teoria será correta enquanto não for falsificada pelos fatos do mundo real. Isso é diferente do método das outras correntes do pensamento econômico, que usam modelos matemáticos para descreverem o comportamento das pessoas no mundo real.

Ação, tempo e conhecimento, eis o universo da economia, caro aluno. Convido você a mergulhar nesse mundo fascinante!



Sugestões de leitura:

Iorio, Ubiratan J. Ação, tempo e conhecimento: a Escola Austríaca de Economia, Instituto Mises Brasil, 2011, São Paulo, Introdução e caps.1e 2

Wisniewski Jakub B., Dez motivos por que a Escola Austríaca é melhor que as escolas convencionais

Rothbard, M., O individualismo metodológico

Beltrão, Helio, Como a Escola Austríaca mudou minha vida para melhor

Woods, Thomas, Explicando o livre mercado para um ignorante econômico

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Seg Set 17, 2012 7:44 pm

Mais um vídeo sobre Teoria Econômica Austríaca (não sobre libertarianismo), expondo como e por quê regulações do governo influenciam negativamente a economia.



Apesar desse vídeo induzir a idéias libertárias, seu objetivo é de simplesmente explicar como as grandes corporações são ajudadas pela regulação governamental, e como as pequenas são prejudicadas e inviabilizadas por ela.

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Ter Set 18, 2012 3:54 pm

este artigo (clique), comentando o mensalão, é o contrário: é um artigo defendendo idéias libertárias a partir de críticas baseadas nas teorias da EEA sobre ações do governo.

Repetindo, não quero "converter" ninguém ao libertarianismo - ideologia que eu inclusive não apoio 100% - só quero vender novas idéias que nós não podemos sequer sonhar em vê-las na mídia e nas escolas deste país.

Pra quem quiser aprender a fundo, o artigo ainda linka a diversos outros artigos com detalhamento dos fundamentos teóricos dos argumentos apresentados.

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Qui Set 27, 2012 11:35 am

Joni, talvez este artigo esclareça algumas das coisas que você afirmou não gostar em um de seus comentários.

A economia e os problemas essenciais da existência humana
por Ludwig von Mises, quinta-feira, 27 de setembro de 2012


A ciência e a vida

Costuma-se censurar a ciência moderna por ela se abster de expressar juízos de valor. Essa neutralidade em relação ao valor (Wertfreiheit), dizem os críticos, de nada serve ao homem que vive e que age, pois o homem necessita de que lhe digam quais devem ser os seus objetivos. A ciência, se não puder responder a essa questão, é estéril.

Mas essa objeção não tem fundamento. A ciência não formula juízos de valor, mas provê o agente homem com informações necessárias para que ele faça a sua própria valoração. Ela só não pode ajudar o homem quando este pergunta se a vida vale ou não a pena ser vivida.

Essa questão, evidentemente, tem sido suscitada, e continuará sendo. Para que servem todos esses esforços e atividades humanas se, ao final de tudo, ninguém escapa da morte e da decomposição? O homem vive à sombra da morte. Quaisquer que tenham sido as suas realizações ao longo de sua peregrinação, um dia ela irá de morrer e abandonar tudo o que construiu. Cada momento pode ser o seu último momento. O futuro só contém uma certeza: a morte. Visto desse ângulo, todo esforço humano parece ter sido vão e fútil.

Além disso, a ação humana deveria ser considerada como algo inútil, mesmo quando julgada do ponto de vista dos objetivos que pretendia atingir. A ação humana jamais poderá produzir uma satisfação completa; serve apenas para reduzir parcial e temporariamente o desconforto. Logo que um desejo é satisfeito, surgem outros. A civilização, costuma-se dizer, torna as pessoas mais pobres porque multiplica as necessidades; desperta mais desejos do que os que consegue mitigar. Toda essa azáfama de homens diligentes e trabalhadores, toda essa pressa, esse dinamismo, esse alvoroço, não têm o menor sentido porque não traz felicidade e nem paz. Não se pode alcançar a paz de espírito e a serenidade pela ação e pela ambição temporal; a paz de espírito pode ser alcançada somente por meio da renúncia e da resignação. O único tipo de conduta adequada ao sábio é o recolhimento à inatividade de uma vida puramente contemplativa.

Entretanto, todos esses receios, dúvidas e escrúpulos são superados pela força irresistível da energia vital do homem. Certamente, o homem não poderá escapar da morte. Mas, no momento, está vivo; é a vida e não a morte que se apodera dele. Qualquer que seja o futuro que lhe tenha sido reservado, não pode fugir das necessidades da hora presente.

Enquanto tiver vida, o homem não pode deixar de obedecer ao seu impulso básico, o elã vital. É da natureza do homem procurar preservar e fortalecer a sua vida; procurar diminuir o seu desconforto; buscar o que possa ser chamado de felicidade. Em cada ser humano existe um id, um impulso instintivo inexplicável e não analisável, que é a fonte de todos os impulsos, a força que nos impele à vida e à ação, a ânsia original e permanente por uma existência mais plena e mais feliz. Existe enquanto o homem vive e só desaparece quando sua vida se extingue.

A razão humana está a serviço desse impulso vital. A função biológica da razão é preservar e promover a vida e adiar a sua extinção tanto quanto possível. O pensamento e a ação não conflitam com a natureza; ao contrário, são o principal traço da natureza humana. O que mais apropriadamente distingue o homem dos demais seres vivos é o fato de conscientemente lutar contra as forças hostis à sua vida.

Portanto, tudo o que se tem dito sobre o primado dos elementos irracionais é vazio de significado. No universo, cuja existência a nossa razão não pode explicar, analisar ou conceber, há um pequeno setor nos limites do qual o homem pode, numa certa medida, diminuir o seu desconforto. Esse setor, reservado ao homem, é o domínio da razão e da racionalidade, da ciência e da ação propositada. A sua mera existência, por mais exígua que seja, por deficientes que sejam os seus resultados, não permite que o homem se entregue à resignação e à letargia. Nenhuma sutileza filosófica poderá jamais impedir um indivíduo sadio de recorrer às ações que ele mesmo considera adequadas para satisfazer as suas necessidades.

Pode ser que no recôndito da alma humana exista o desejo de uma existência vegetativa, inativa e pacífica. Mas, no ser humano, esses desejos, quaisquer
que possam ser, são superados pelo afã de agir e de melhorar as condições de sua própria vida. Quando prevalece o espírito de renúncia, o homem morre; ele não se transforma num vegetal.

É claro que a praxeologia e a economia não informam ao homem se ele deve preservar ou renunciar à vida. A vida em si e todas as forças desconhecidas que a originam e que a mantêm é um dado irredutível, e, como tal, fora do âmbito da ciência. O tema central de que se ocupa a praxeologia é exclusivamente a ação — a mais típica manifestação da vida humana.


A ciência econômica e os juízos de valor


Embora haja muitas pessoas que condenam a ciência econômica por sua neutralidade em relação a julgamentos de valor, há também os que a condenam por sua suposta indulgência em relação aos mesmos. Uns dizem que a economia deve necessariamente expressar juízos de valor e que, portanto, não é realmente uma ciência, uma vez que a ciência tem que ser indiferente a valores. Outros sustentam que a verdadeira ciência econômica deve e pode ser imparcial e que só os maus economistas infringem esse postulado.

A confusão existente na discussão desses problemas é de natureza semântica e se deve à forma inadequada de muitos economistas empregarem certos termos. Suponhamos que um economista investigue se uma medida a pode produzir um resultado p para cuja realização foi recomendada; e que chegue à conclusão de que a não resultará em p, mas em g, um efeito que mesmo os que propõem a medida a consideram indesejável. Se esse economista enunciar o resultado de sua investigação dizendo que a é uma medida "má", não estará formulando um juízo de valor. Estará apenas dizendo que, do ponto de vista dos que desejam atingir o resultado p, a medida a é inadequada.

É nesse sentido que os economistas que defendem o livre comércio condenam o protecionismo. Eles demonstram que a proteção, ao contrário do que pensam os seus adeptos, diminui, em vez de aumentar, a quantidade total de produtos e que, portanto, é indesejável do ponto de vista dos que preferem que a oferta de produtos seja a maior possível. Os economistas criticam as políticas em função dos resultados que pretendem atingir. Quando, por exemplo, um economista diz que uma política de salários mínimos é má, o que está dizendo é que os seus efeitos contrariam os propósitos dos que a recomendam.

É sob esse mesmo prisma que a praxeologia e a economia consideram o princípio fundamental da existência humana e da evolução social, qual seja, que a cooperação sob a divisão social do trabalho é um modo de ação mais eficiente do que o isolamento autárquico dos indivíduos. A praxeologia e a economia não dizem que o homem deveria cooperar pacificamente no contexto da sociedade; dizem apenas que o homem deve agir dessa maneira se deseja atingir resultados que de outra forma não conseguiria. A obediência às regras morais necessárias ao estabelecimento, à preservação e à intensificação da cooperação social não é considerada um sacrifício a uma entidade mítica qualquer, mas o recurso ao meio mais eficiente, como se fosse um preço a ser pago para receber em troca algo a que se dá mais valor.

Todos os dogmatismos e todas as escolas antiliberais uniram as suas forças para impedir que as doutrinas heteronômicas do intuicionismo e dos mandamentos
revelados fossem substituídas por uma ética autônoma, racionalista e voluntarista. Todas elas condenam a filosofia utilitarista pela impiedosa austeridade de sua descrição e análise da natureza humana e das motivações últimas da ação humana. Apenas um ponto precisa ser mencionado, porque, de um lado, representa a essência da doutrina de todos os mistificadores contemporâneos e, de outro, oferece ao intelectual comum uma bem-vinda desculpa para não ter que se submeter à incômoda disciplina dos estudos econômicos.

Dizem esses críticos que a economia, no seu apriorismo racionalista, pressupõe que os homens visem unicamente, ou pelo menos primordialmente, ao bem-estar material. Mas, na realidade, os homens preferem os objetivos irracionais aos objetivos racionais. São guiados mais pela necessidade de atender a mitos e a ideais do que pelo desejo de ter um melhor padrão de vida.

Em resposta, o que a economia tem a dizer é o seguinte:

1.
A economia não pressupõe, e nem considera um postulado, que os homens visem unicamente, ou pelo menos primordialmente, ao que é denominado de bem-estar material. A economia, enquanto ramo da ciência geral que estuda a ação humana, lida com a ação humana, isto é, com a ação propositada do homem no sentido de atingir os objetivos escolhidos, quaisquer que sejam esses objetivos. Aplicar aos fins escolhidos o conceito de racional ou irracional não faz sentido. Podemos qualificar de irracional o dado irredutível, isto é, aquelas coisas que o nosso pensamento não pode analisar e nem decompor em outros dados irredutíveis. Nesse sentido, todos os objetivos escolhidos pelo homem são, no fundo, irracionais. Não é mais nem menos racional desejar a riqueza como o fez Creso ou aspirar à pobreza como o faz um monge budista.

2.
O que os críticos têm em mente ao empregar o termo objetivos racionais é o desejo de maior bem-estar material e de melhor padrão de vida. Para saber se a sua afirmativa — de que os homens em geral e os nossos contemporâneos em particular estão mais interessados em mitos e sonhos do que em melhorar o seu padrão de vida — é ou não correta, basta verificar os fatos. Não há necessidade de muita inteligência para saber a resposta certa, e não precisamos aprofundar a discussão. Mesmo porque a economia nada tem a dizer a favor ou contra os mitos em geral; mantém a sua neutralidade em relação à doutrina sindical, à doutrina de expansão da oferta monetária, e a todas as outras doutrinas, na medida em que os seus partidários as considerem e as defendam como mitos. A economia só lida com essas doutrinas na medida em que sejam consideradas como um meio para atingir determinados fins. A economia não afirma que o sindicalismo trabalhista seja um mau mito; afirma apenas que é um meio inadequado para aumentar os salários dos que desejam ter salários maiores. Compete a cada indivíduo decidir se prefere seguir o mito ou se prefere evitar as consequências inevitáveis que advirão de sua realização. Nesse sentido, podemos dizer que a economia é apolítica ou não política, embora seja a base de todo tipo de ação política. Podemos ainda dizer que a economia é perfeitamente neutra em relação a todos os julgamentos de valor, uma vez que ela se refere sempre aos meios e nunca à escolha dos objetivos últimos que o homem pretende atingir.


O conhecimento econômico e a ação humana

A liberdade de o homem escolher e agir sofre restrições de três tipos. Em primeiro lugar estão as leis físicas a cujas inexoráveis determinações o homem
tem que se submeter se quiser permanecer vivo. Em segundo lugar estão as características e aptidões congênitas de cada indivíduo e sua interrelação com o meio ambiente; tais circunstâncias, indubitavelmente, influenciam tanto a escolha dos fins e a dos meios, embora nosso conhecimento de como isso se processa seja bastante impreciso. Finalmente, existe a regularidade das relações de causa e efeito entre os meios utilizados e os fins alcançados; ou seja, as leis praxeológicas, que são distintas das leis físicas e fisiológicas.

A elucidação e o exame formal dessa terceira categoria de leis do universo é o objeto de estudo da praxeologia e do seu ramo mais bem desenvolvido até o
momento, a economia.

O conhecimento acumulado pela ciência econômica é um elemento essencial da civilização humana; é a base sobre a qual se assentam o industrialismo moderno, bem como todas as conquistas morais, intelectuais, tecnológicas e terapêuticas dos últimos séculos. Cabe aos homens decidirem se preferem usar adequadamente esse rico acervo de conhecimento que lhes foi legado ou se preferem deixá-lo de lado. Mas, se não conseguirem usá-lo da melhor maneira possível ou se menosprezarem os seus ensinamentos e as suas advertências, não estarão invalidando a ciência econômica; estarão aniquilando a sociedade e a raça humana.

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por HardDisk em Seg Out 01, 2012 9:11 pm

Acho relevante pra discussão:

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Qua Out 10, 2012 11:10 am

Pô, HD, vi o vídeo uma vez, e devo ter entendido entre 30 e 40%. Minha audição é horrível pro inglês. Não tem uma versão com legenda?

Abaixo um artigo que explica por que eu acho que o problema não é a existência do estado em si, e sim sua postura interventora, e a verdadeira raiz da maioria dos males sociais (obviamente que não de todos), é a filosofia socialista ou qualquer de suas evoluções. N.K. = Nota do Kusanagi.

O que é realmente o socialismo e qual o seu maior problema
por Jesús Huerta de Soto, quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Não há nada mais prático do que uma boa teoria. Por isso, proponho-me a explicar em termos teóricos o que é o socialismo e por que ele não apenas é um erro intelectual, como também é uma impossibilidade científica. Mostrarei por que ele se desmoronou — ao menos o socialismo real — e por que o socialismo que segue existindo na forma de intervencionismo econômico nos países ocidentais é o principal culpado pelas tensões e conflitos de que padece o mundo atual.

Ainda estamos vivendo em um mundo essencialmente socialista, não obstante a queda do Muro de Berlim; e continuamos tolerando os efeitos que, segundo a teoria, são próprios da intervenção do estado sobre a vida social.

Para definir o socialismo, é necessário antes entendermos o conceito de "função empresarial". Os teóricos da economia dizem que a função empresarial é uma capacidade inata do ser humano. Não estamos nos referindo aqui ao empresário típico que leva adiante um empreendimento. Estamos nos referindo, isso sim, à capacidade inata que todo ser humano tem de descobrir, criar, tomar conhecimento das oportunidades de lucro que surgem ao seu redor e atuar de modo a se aproveitar das mesmas. Com efeito, etimologicamente, a palavra 'empresário' evoca o descobridor, alguém que percebe algo e aproveita a oportunidade. Em termos mais figurativos, seria a lâmpada que se acende.

A função empresarial é a mais essencial das capacidades do ser humano. Essa capacidade de criar e de descobrir coisas é o que, por natureza, mais nos distingue dos animais. Neste sentido geral, o ser humano, mais do que um homo sapiens é um homo empresario. Quem seria, portanto, um empresário? Não se trata apenas de Henry Ford ou de Bill Gates, que sem dúvida alguma são grandes empresários no âmbito comercial e econômico. Um empresário é toda e qualquer pessoa que tenha uma visão criativa, uma visão revolucionária. Madre Teresa de Calcutá, por exemplo. Sua missão era ajudar aos mais necessitados, e ela buscava fazer isso de forma criativa, unindo voluntários e canalizando os desejos de todos para o seu objetivo. Por isso, Teresa de Calcutá foi um exemplo paradigmático de empresário.

Portanto, entendamos a função empresarial como sendo a mais íntima característica de nossa natureza como seres humanos, a característica que explica o surgimento da sociedade e o seu desenvolvimento como uma extremamente complicada rede de interações. A sociedade é formada por inúmeras relações de interação e troca entre indivíduos, relações estas que são empreendidas porque, de alguma forma, imaginamos que estaremos melhor após elas. Todas estas relações são impulsionadas por nosso espírito empresarial.

Todo ato empresarial produz uma sequência de três etapas. A primeira consiste na criação da informação: quando um empresário descobre ou cria uma ideia nova; quando ele gera em sua mente uma informação que antes não existia. Para colocar essa descoberta em prática, ele parte para a segunda etapa, que é quando ele combina recursos para satisfazer necessidades. Se, de um lado, ele percebe que há um recurso barato e mal aproveitado, e, do outro, ele descobre que há demandas que podem ser satisfeitas com este recurso, ele irá atuar de modo a coordenar este "desarranjo". Ele irá comprar barato o recurso, utilizá-lo, transformá-lo, e vendê-lo a um preço maior, satisfazendo assim a demanda que ele havia percebido. Desta forma, a informação é transmitida a todos, o que nos leva à terceira e última etapa, que é quando os agentes econômicos, atuando de maneira descoordenada, observam, aprendem e descobrem que devem conservar e economizar melhor um determinado recurso porque alguém o está demandando.

Estes são os três planos que completam a sequência: criação de informação, transmissão de informação e, o mais importante, o efeito de coordenação gerado pelas duas etapas anteriores. Desde o momento em que acordamos e nos levantamos da cama até o momento em que voltamos a dormir, disciplinamos nosso comportamento em função das mais distintas necessidades, em função das necessidades de pessoas que nem sequer conhecemos; e fazemos isso por iniciativa própria porque, seguindo nosso próprio interesse empresarial, sabemos que assim saímos ganhando. É importante entendermos tudo isso porque, em contraste, vejamos agora o que é o socialismo.

O socialismo deve ser definido como sendo "todo e qualquer sistema de agressão institucional e sistemática contra o livre exercício da função empresarial". (N.K.: Repare que essa é a consequência direta das propostas das diversas modalidades de socialismo que existem ou já existiram: comunismo, socialismo, social-democracia, neo-liberalismo... o que muda são as áreas de atuação, ou, de uma maneira mais genérica, o tamanho e a abrangência da "agressão") O socialismo consiste em um sistema de intervenção que se impõe pela força, utilizando todos meios coercitivos do estado. O socialismo poderá apresentar determinados objetivos como sendo bons, mas terá de impor estes objetivos supostamente bons por meio de intervenções coercivas que provocarão distúrbios neste processo de cooperação social protagonizado pelos empresários. (N.K.: Afinal, os ideais socialistas são tão bons, que ninguém se dispõe a praticá-los voluntariamente...) Sendo assim — e essa é sua principal característica —, o socialismo funciona por meio da coerção. Esta definição é muito importante porque os socialistas sempre querem ocultar sua face coerciva, a qual é a essência mais distintiva de seu sistema.

A coerção consiste em utilizar a violência para obrigar alguém a fazer algo. De um lado temos a coerção do criminoso de rua que assalta um indivíduo qualquer; de outro temos a coerção do estado, que é a coerção que caracteriza o socialismo. Quando a coerção é aleatória, não sistemática, o mercado tem, na medida do possível, seus próprios mecanismos para definir direitos de propriedade e defender-se da criminalidade. Porém, se a coerção é sistemática e advém institucionalmente de um estado que detém todos os instrumentos do poder, a possibilidade de nos defendermos destes instrumentos e evitá-los é muito reduzida. É neste ponto que o socialismo manifesta sua realidade em toda a sua crueza.

O socialismo não deve ser definido unicamente em termos de propriedade pública ou privada dos meios de produção. (N.K.: Grifo meu) Isso é um arcaísmo. A essência do socialismo é a coerção, a coerção institucional oriunda do estado, por meio da qual se pretende que um órgão planejador se encarregue de todas as tarefas supostamente necessárias para se coordenar toda uma sociedade. A responsabilidade é retirada à força dos indivíduos — que são naturalmente os únicos responsáveis por sua função empresarial, e que almejam seus objetivos e querem alcançá-los utilizando os meios mais adequados para tal — e repassada a um órgão planejador que, "lá de cima", pretende impor por meio da coerção sua visão específica de mundo e seus objetivos particulares. Nesta definição de socialismo, vale enfatizar que é irrelevante se este órgão planejador foi ou não eleito democraticamente. O teorema da impossibilidade do socialismo se mantém intacto, sem nenhuma modificação, independentemente de ser democrática ou não a origem do órgão planejador que quer impor à força a coordenação de toda a sociedade.

Definido o socialismo desta maneira, expliquemos então por que ele é um erro intelectual.

O socialismo é um erro intelectual porque é impossível que o órgão planejador encarregado de exercer a coerção para coordenar a sociedade obtenha todas as informações de que necessita para fornecer um conteúdo coordenador às suas ordens. Este é o grande paradoxo do socialismo, e o seu maior problema. O planejador da economia necessita receber um fluxo ininterrupto e crescente de informação, de conhecimento e de dados para que seu impacto coercivo — a organização da sociedade — tenha algum êxito. Mas é obviamente impossível uma mente ou mesmo várias mentes obterem e processarem todas as informações que estão dispersas na economia. As interações diárias entre milhões de indivíduos produzem uma multiplicidade de informações que são impossíveis de serem apreendidas e processadas por apenas um seleto grupo de seres humanos.

Os teóricos da Escola Austríaca de Economia, Mises e Hayek, elaboraram quatro argumentos básicos no debate que mantiveram durante a primeira metade do século XX contra os teóricos da economia neoclássica, os quais nunca foram capazes de entender o problema inerente ao socialismo. E por que não foram capazes de entendê-lo? Pelo seguinte motivo: eles acreditavam que a economia funcionava exatamente como nos livros-textos de faculdade. Mas o que os livros-textos ensinam em relação ao funcionamento da economia de mercado é radicalmente falso e fictício. Tais manuais baseiam suas explicações sobre o mercado em termos matemáticos que supõem um ajuste perfeito. É como se o mercado fosse uma espécie de computador que ajusta de maneira automática e perfeita os desejos dos consumidores à ação dos produtores. O modelo ideal dos manuais é o da concorrência perfeita, descrito pelo sistema de equações simultâneas de Walras.

Quando era universitário, minha primeira aula de economia foi com um professor que começou sua explanação com a seguinte e espantosa frase: "Suponhamos que todas as informações sejam conhecidas". E logo em seguida ele se pôs a encher o quadro-negro com funções, curvas e fórmulas. Esta é exatamente a hipótese da qual partem os neoclássicos: todas as informações são conhecidas e nada se altera; tudo é estático. Mas esta hipótese é radicalmente irreal. Ela vai contra a característica mais típica do mercado: a informação nunca é conhecida por todos; ela está dispersa pela economia. Ela não é um dado constante que está ali para ser consultado a qualquer momento. O conhecimento dos dados surge continuamente em decorrência da atividade criativa dos empresários: novos fins são almejados, novos meios são criados e utilizados. Logo, qualquer teoria econômica construída a partir deste pressuposto irreal está fatalmente errada.

Os economistas neoclássicos pensaram que o socialismo era possível porque supuseram que todos os dados necessários para elaborar o sistema de equações simultâneas de Walras e encontrar sua solução eram "conhecidos". Não foram capazes de apreciar o que ocorria neste mundo que tinham de investigar cientificamente; por conseguinte, não conseguiram entender o que realmente se passava.

Somente a Escola Austríaca seguiu um paradigma distinto. Ela nunca supôs que as informações já estavam dadas e eram conhecidas por todos. Ela sempre considerou que o processo econômico era impulsionado por empresários que continuamente incorrem em transações e descobrem novas informações. Somente ela foi capaz de entender e explicar que o socialismo era um erro intelectual. Ela desenvolveu seu argumento utilizando quatro enunciados: dois podem ser considerados "estáticos" e os outros dois podem ser considerados "dinâmicos".

Em primeiro lugar, a Escola Austríaca afirma, como já dito, ser impossível o órgão planejador coletar e utilizar corretamente todas as informações de que necessita para imprimir um conteúdo coordenador às suas ordens. O volume de informações que os seres humanos manejam e com as quais lidam diariamente é imenso, de modo que é impossível gerir o que sete bilhões de seres humanos têm na cabeça. Embora os neoclássicos não tenham sequer conseguido entender este argumento, ele é o mais fraco e o menos importante. Ao fim e ao cabo, nos dias de hoje, com toda a capacidade informática existente, é um pouco mais fácil lidar com volumes imensos de informação.

O segundo argumento é muito mais profundo e contundente. A informação com que lida o mercado não é objetiva; não é como a informação que se encontra impressa em um catálogo. A informação empresarial possui uma natureza radicalmente distinta; ela é uma informação subjetiva, e não objetiva. Ela é tácita, por assim dizer. Ela é do tipo "sabemos algo, temos a técnica, a prática e o conhecimento, mas não sabemos no que tudo isso consiste detalhadamente." Explicando de outra forma: é como a informação necessária para andar de bicicleta. É como se alguém quisesse aprender a andar de bicicleta estudando as fórmulas físicas e matemáticas que expressam o equilíbrio que mantém o ciclista enquanto ele pedala. O conhecimento necessário para saber andar de bicicleta não é adquirido desta forma, mas sim mediante um processo prático de aprendizagem, normalmente bem acidentado, que finalmente permite entender como se equilibra sobre uma bicicleta, além de detalhes fundamentais, como o de que, ao fazermos as curvas, temos de nos inclinar para não cairmos. É bem provável que Lance Armstrong desconheça os detalhes das leis da física que o permitiram vencer o Tour de France várias vezes, mas ele indubitavelmente possui o conhecimento de como se anda em uma bicicleta.

A informação implícita não pode ser moldada de maneira formalizada e objetiva; tampouco pode ser transmitida corretamente a um órgão planejador. Só é possível transmitir a um órgão planejador — de modo que este assimile e imponha uma coerção, dando um conteúdo coordenador às suas ordens — uma informação unívoca que não dê brechas a mal entendidos. Porém, a esmagadora maioria das informações das quais dependemos para sermos bem-sucedidos em nossas vidas não é objetiva; não é informação de catálogo. É informação subjetiva e tácita.

Mas estes dois argumentos — que as informações são extremamente volumosas e que possuem um caráter subjetivo — não bastam. Existem outros dois, de caráter dinâmico, que são ainda mais contundentes e cuja implicação inevitável é a impossibilidade do socialismo.

Nós seres humanos somos dotados de uma inata capacidade criativa. Continuamente descobrimos coisas "novas", almejamos objetivos "novos", e escolhemos meios "novos" para alcançá-los. É impossível transmitir a um órgão planejador a informação ou o conhecimento que ainda não foi "criado" pelos empresários. O órgão planejador pode se empenhar o quanto quiser em construir um "nirvana social" por meio de uma publicação diária de decretos e da imposição da força. Mas, para fazer isso — ou seja, para se alcançar o "nirvana social" — ele tem de saber exatamente o que ocorrerá amanhã. E o que vai ocorrer amanhã dependerá de uma informação empresarial que ainda não foi criada hoje, e que não pode ser transmitida ainda hoje para que nossos governantes nos coordenem eficientemente amanhã. Este é o paradoxo do socialismo, a terceira razão.

Mas isso ainda não é tudo. Existe um quarto argumento que é definitivo. A própria natureza do socialismo — que, como dito, se baseia na coerção, no impacto coercivo sobre o corpo social ou a sociedade civil — bloqueia, dificulta ou impossibilita a criação empresarial de informação, que é precisamente aquilo de que necessita o governante para dar um conteúdo coordenador às suas ordens.

Esta é a demonstração em termos científicos do motivo de o socialismo ser teoricamente impossível. É impossível o órgão planejador socialista coletar, apreender e colocar em prática todas as informações de que necessita para imprimir um conteúdo coordenador aos seus decretos. Esta é uma análise puramente objetiva e científica. Não é necessário pensar que o problema do socialismo está no fato de que "aqueles que estão no comando são maus". Nem mesmo anjos, santos ou seres humanos genuinamente bondosos, com as melhores intenções e com os melhores conhecimentos, poderiam organizar uma sociedade de acordo com o esquema coercivo socialista. Ela seria convertida em um inferno, já que, dada a natureza do ser humano, é impossível alcançar o objetivo ou o ideal socialista.

Todas estas características do socialismo têm consequências que podemos identificar em nossa realidade cotidiana. A primeira é seu poder de encanto. Em nossa natureza mais íntima, sempre encontramos o risco de ceder ao socialismo porque seu ideal nos tenta, porque o ser humano sempre tende a se rebelar contra sua natureza. Viver em um mundo cujo futuro é incerto é algo que nos inquieta, e a possibilidade de controlar este futuro, de erradicar a incerteza, nos atrai. Em seu livro A Arrogância Fatal, Hayek diz que, na realidade, o socialismo é a manifestação social, política e econômica do pecado original do ser humano, que é a arrogância. O ser humano sempre teve o devaneio de querer ser Deus — isto é, onisciente. Por isso, sempre, geração após geração, temos de estar em guarda contra o socialismo, continuamente vigilantes, e entender o fato de que nossa natureza é criativa, do tipo empresarial.

O socialismo não é uma simples questão de siglas, abreviações, sindicatos ou partidos políticos em determinados contextos históricos. O socialismo é uma ideia que está e sempre estará se infiltrando de maneira insidiosa em famílias, comunidades, bairros, igrejas, empresas, movimentos, partidos políticos de todas as ideologias etc. É necessário lutar continuamente contra a tentação do estatismo porque ele representa o perigo mais original que há dentro dos seres humanos, nossa maior tentação: crer que somos Deus. (N.K.: Referência ao texto bíblico, em que, ao tentar Eva a comer o fruto do conhecimento do bem e do mal, a serpente afirmou a ela que, se comesse ela se tornaria como Deus) O socialista acredita ser genuinamente capaz de superar o problema da impossibilidade da coleta, da apreensão e da utilização de informações dispersas, problema esse que desacredita totalmente a essência do sistema que ele defende. Por isso, o socialismo sempre decorre do pecado da soberba intelectual. Por trás de todo socialista há um arrogante, um intelectual soberbo. E isso é algo fácil de constatarmos ao nosso redor.

O socialismo não é somente um erro intelectual. É também uma força verdadeiramente antissocial, pois sua mais íntima característica consiste em violentar, em maior ou menor escala, a liberdade empresarial dos seres humanos em seu sentido criativo e coordenador. E, como é exatamente isso o que distingue os seres humanos dos outros seres vivos, o socialismo é um sistema social antinatural, contrário a tudo o que o ser humano é e aspira a ser.


Jesús Huerta de Soto , professor de economia da Universidade Rey Juan Carlos, em Madri, é o principal economista austríaco da Espanha. Autor, tradutor, editor e professor, ele também é um dos mais ativos embaixadores do capitalismo libertário ao redor do mundo. Ele é o autor da monumental obra Money, Bank Credit, and Economic Cycles.

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Ter Out 16, 2012 1:40 pm

Nova lição. Em minha opinião, a melhor até agora:

Dez lições de economia para iniciantes - Sétima lição: capital, juros e estrutura de produção

por Ubiratan Jorge Iorio, terça-feira, 16 de outubro de 2012



Se você
perguntar a uma pessoa humilde e sem instrução o que é capital, ela
talvez responda batendo com a mão em um dos bolsos da calça, para
indicar que se trata de dinheiro; se perguntar a certos políticos que
não dão valor à educação, eles talvez respondam que "capital é
Brasília"; se perguntar o mesmo a um economista que se tenha formado lá
pelos anos 50 do século passado (e que nunca mais tenha estudado para se
atualizar), ele com certeza vai dizer que capital é o conjunto de
máquinas, equipamentos, construções e instalações; se fizer a pergunta a
um monetarista, ele lhe dará a definição de Irving Fischer ("capital é
qualquer ativo que tem capacidade de gerar um fluxo de rendimentos ao
longo do tempo"). Mas, e se você perguntar o que é o capital a um economista austríaco?
Bem, certamente ele começará a resposta mostrando a
você que o resultado ou recompensa pela produção de um bem ou serviço
exige sempre esforço para ser alcançado e que se você quiser ter mais
coisas amanhã terá que sacrificar alguma coisa hoje. Este exemplo
simples ajudará você a compreender onde queremos chegar.

Suponha que Robinson Crusoé pescava três peixes por dia
mergulhando para pegá-los com as próprias mãos e que sua alimentação
consistia exclusivamente do pescado que "produzia". Ao final do dia,
assava-os e os comia. Suponha agora que ele tivesse tomado a decisão de,
ao invés de comer os três peixes que pescava diariamente, consumir
apenas dois, economizando, portanto, um peixe por dia. Ao cabo de dois
dias, teria acumulado dois peixes, o que lhe garantiria consumo para um
dia. Admita que ele gastasse esse dia não para pescar, mas para
construir uma rede tosca, que lhe permitiria pegar, ao invés dos três a
que estava acostumado, uma dúzia de peixes por dia — sem dúvida, um
resultado superior ao inicial. Neste exemplo de uma economia autística, a abstinência — ou poupança —
seria dada por aqueles dois peixes que deixou de comer durante os dois
dias para que pudesse ter uma reserva de peixes que lhe permitisse
passar um dia inteiro investindo, ou seja,construindo o bem de capital — a rede.

Neste exemplo, o capital de Crusoé consiste na rede que
ele, com sacrifício e esforço, construiu, renunciando ao consumo de um
peixe durante dois dias consecutivos para que pudesse ter doze peixes
por dia a partir do quarto dia, quando já podia usar a rede. Note que
ele poupou no primeiro e no segundo dia e que investiu no terceiro dia. Guarde isso muito bem: para investir, é preciso antes poupar!

De maneira geral, um bem de capital, para os economistas
austríacos, é cada uma das etapas intermediárias de cada processo de
ação, subjetivamente consideradas dessa forma pelo agente. Mais
especificamente, um bem de capital é uma das etapas
intermediárias da série em que se constitui todo o processo produtivo
desenvolvido pelo agente. Por exemplo, na produção do bem final "pão", a
farinha é um bem intermediário, um bem que já embute um valor
adicionado e que ainda não está "pronto" para o consumo final, mas que é
utilizado na produção de pães. Neste exemplo, na nomenclatura
austríaca, o pão é um bem de primeira ordem ou de consumo final, a farinha um bem de segunda ordem e o trigo (que é utilizado para produzir a farinha) é um bem de terceira ordem. Farinha e trigo são bens de capital.

No artigo A teoria austríaca do capital,
publicado neste site em 9 de agosto de 2010 e que é um resumo do quarto
capítulo de meu livro Ação, tempo de conhecimento (IMB, São Paulo,
2011), está escrito:

O que separa o agente de seu desejado fim é o
tempo, ou seja, a série sucessiva de etapas que integram o seu processo
de ação. É intuitivo que, sob o ponto de vista prospectivo e subjetivo
do agente, existe uma tendência a que, quanto maior for o período de
tempo que se espera para concretizar uma ação — ou seja, quanto maior a
complexidade das etapas sucessivas que a constituem —, assim como quanto
maior for o grau de incerteza envolvido na consecução da ação até o
objetivo pretendido, o resultado ou fim da ação que se pretende alcançar
deve possuir um valor maior. Se não fosse assim, não se realizariam
ações que demandam mais tempo e embutem maior incerteza, porque se
optaria sempre pelo 'curto' e o 'não duvidoso'.
Em
outras palavras, os seres humanos, em situações semelhantes, sempre
desejam alcançar os seus fins da maneira mais rápida e menos incerta
possível e somente mostrarão disposição para adiar a realização de seus
propósitos se — subjetivamente — julgarem que o adiamento lhes permitirá
alcançar objetivos de maior valor. A isto se denomina de preferência intertemporal. Escrevendo de outra forma: os bens presentes são preferíveis aos bens futuros, ou, ainda: o adiamento de uma recompensa no presente exige uma recompensa maior no futuro.

Nas economias modernas, com milhões de agentes
econômicos, em que a complexidade dos processos produtivos é muito mais
sofisticada do que a do exemplo de Robinson Crusoé que vimos, o
capitalista é aquele que poupa, ou seja, consume menos do que cria ou
produz, liberando dessa forma recursos para os estágios mais afastados
da estrutura de produção, isto é, para a produção de bens de capital.

O economista austríaco Eugene von Böhm-Bawerk, ao
enfatizar a importância do tempo no processo econômico e ao definir o
capital como sendo os fatores de produção fabricados, desenvolveu a
teoria do capital e dos juros. Sua análise sustentava-se na ideia de que
os meios de produção indiretos ( que ele chamou de roundabout,
como a farinha no exemplo da fabricação de pães) permitem o aumento da
produtividade dos agentes, tanto em termos de quantidades maiores de
bens produzidos sem equipamentos, como dos bens produzidos apenas com a
utilização de bens de capital em seus processos produtivos.

E o tempo de espera associado ao uso de processos
indiretos de produção é o núcleo de sua teoria dos juros. Seu argumento
era o de que os agentes econômicos valorizam mais os bens presentes do
que os bens futuros com características semelhantes, desde que as demais
circunstâncias não se alterem.

Em outras palavras, isto significa que as pessoas têm
uma tendência a consumir mais no presente do que no futuro. Tal
afirmativa, que denominamos de lei da preferência intertemporal,
deduz-se imediatamente dos postulados da ação humana e traduz o fato de
que, sendo o tempo um fator escasso, o agente econômico procura obter a
situação mais satisfatória para ele no mínimo de tempo possível.

Os agentes econômicos dispõem de duas possibilidades
quanto ao consumo daquilo que é produzido: consumir no presente ou
esperar para consumir no futuro, isto é, poupar. E, como os seres
humanos possuem uma tendência para consumir no presente, torna-se
necessário, para que eles abram mão dessa inclinação natural e adiem seu
consumo, que recebam uma recompensa ou prêmio pela espera. Tal prêmio,
denominado de juros originário, é definido como a diferença entre os valores atribuídos a um mesmo bem no presente e no futuro.

O montante de juros originário tende a ser diretamente
proporcional à preferência temporal dos agentes econômicos, ou seja,
quanto mais estes valorizem o consumo presente em relação ao futuro,
maior deverá ser o montante de juros necessário para induzi-los a
poupar, isto é, a postergar o consumo e, inversamente, quanto maior a
preferência pelo consumo futuro em relação ao presente, menor deverá ser
o total de juros que ele requererá para poupar. Se, por exemplo, os
agentes econômicos soubessem que o fim do mundo seria no dia seguinte, a
taxa de juros tenderia ao infinito; se, por outro lado, fossem
informados de que nunca morreriam então a taxa de juros cairia para
níveis baixíssimos, próximos de zero.

Assim, quando um credor empresta, por exemplo,
R$10.000,00 em troca do recebimento de R$ 10.300,00 dentro de um
semestre, os dois não estão trocando a mesma coisa: o credor entrega R$
10.000,00 ao devedor na forma de um bem presente (dinheiro), enquanto o
devedor dá ao credor um bem futuro (uma promissória), que representa uma
perspectiva de recebimento de dinheiro no fim dos seis meses. Em
virtude da discrepância entre as valorizações de um mesmo bem no
presente e no futuro, é que o credor cobra um prêmio (no exemplo, 3% ao
semestre) pelo bem atual, que o devedor aceita pagar.

O capital não é nenhuma "quantidade", é uma estrutura,
uma rede bastante complexa e que possui uma dimensão temporal. Por
exemplo, voltemos à produção de pães: ela começa quando um agricultor
planta as sementes de trigo. Leva, então, tempo para que essas sementes
germinem, se transformem em trigo e este seja colhido e enviado para um
moinho. Por sua vez, leva também algum tempo para que esse trigo seja
transformado em farinha e encaminhado à padaria. Uma vez na padaria,
também leva tempo para que essa farinha, juntamente com outros
ingredientes, seja transformada em pães. A essas etapas sucessivas na
produção dos bens é que chamamos de estrutura de capital ou estrutura de produção.

Os indivíduos, em suas escalas valorativas, tendem a
atribuir maior valor aos bens presentes do que aos bens futuros, mas a
avaliação subjetiva, naturalmente, varia muito entre os indivíduos, bem
como para o mesmo indivíduo ao longo de sua vida. Isto conduz a
possibilidades múltiplas de trocas, em que ambas as partes possam se
beneficiar. Pessoas com baixa preferência intertemporal estão dispostas a
renunciar a bens presentes em troca de bens futuros com valores não
muito maiores, entregando assim os seus bens presentes a outros que
tenham uma preferência intertemporal mais alta e, portanto, valorizem
mais fortemente o presente em relação ao futuro. Isto acaba por
determinar o preço de mercado dos bens presentes relativamente aos bens
futuros. Para a Escola Austríaca, portanto, a taxa de juros nada mais é
do que o preço de mercado dos bens presentes em relação aos bens
futuros.

Assim, a taxa de juros é o preço determinado em mercado
no qual os ofertantes ou vendedores de bens presentes são, precisamente,
os poupadores — todos aqueles relativamente mais dispostos a renunciar
ao consumo imediato em troca da expectativa de obter um maior valor de
bens no futuro. Já os compradores o de bens presentes preferem consumir
bens e serviços imediatos porque sua propensão à abstinência é menor.

Portanto, o mercado de bens
presentes e bens futuros, no qual se determina a taxa de juros, é
formado por toda a estrutura de produção da economia, em que os
poupadores ou capitalistas renunciam ao consumo imediato e oferecem bens
presentes aos proprietários dos fatores originais de produção (trabalho
e recursos naturais) e aos proprietários dos bens de capital, em troca
de assegurar a posse de um valor — que espera vir a ser maior — de bens
de consumo no futuro. Se eliminarmos os efeitos positivos (ou negativos)
dos ganhos (ou perdas) da atividade empresarial, a diferença de valor
tende a coincidir com a taxa de juros.

Quanto maior a poupança, ou seja, quanto mais dispostos a
renunciar ao consumo imediato forem os agentes, menor será a taxa de
juro, maior disponibilidade de bens presentes para aumentar a duração e a
complexidade dos estágios do processo produtivo. E quanto menor for a
poupança, vale dizer, quanto menos dispostos forem os agentes econômicos
a renunciar ao consumo imediato de bens presentes, mais alta será a
taxa de juros de mercado. Portanto, uma taxa de juros de mercado alta
indica que a poupança é escassa em termos relativos, e isso é um sinal
de que os empreendedores não devem alargar os estágios de produção, o
que provocaria descoordenações. A taxa de juros indica então à atividade
empresarial quais os novos estágios produtivos ou projetos de
investimento que devem empreender e quais devem evitar, para manter
coordenados os comportamentos de poupadores, consumidores e
investidores, evitando que os diversos estágios produtivos sejam mais
curtos ou mais longos do que devem ser.

Capital e bem de capital são conceitos
distintos, sob o ponto de vista econômico. O capital é o valor,
calculado a preços de mercado, dos bens de capital, sendo a taxa de
juros o fator de desconto. O conceito de capital da Escola Austríaca é,
portanto, abstrato, uma ferramenta de cálculo econômico, isto é, uma
estimativa subjetiva sobre os valores esperados dos bens de capital no
futuro.

O capital, portanto, é o meio indispensável para a
elevação do nível de bem-estar dos indivíduos, e é resultado do
investimento que, por sua vez, é fruto da poupança prévia e não de
cédulas emitidas pelo Banco Central. O bem-estar aumenta a partir do
esforço da poupança, na medida em que esta se converte em investimento;
ele não aumenta — pelo contrário, diminui — pela simples vontade,
manifestada pelo governo, de que ele poderá aumentar mediante a fixação
de taxas de juros artificialmente baixas e/ou da emissão de moeda sem
lastro.

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Seg Out 22, 2012 10:47 am

Fonte: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=539
Mais um artigo genial de Fréderic Bastiat: economista, jornalista e deputado francês do século XIX. Nosso povo e nossos governantes deveriam ler isso. Mais o povo, pra ir pra rua protestar cada vez que o governo anunciasse um pacote protecionista.

Petição dos fabricantes de velas, candeias, lâmpadas, candelabros, lanternas, corta-pavios, apagadores de velas, e dos produtores de sebo, óleo, resina, álcool, e em geral de tudo relativo à iluminação.

Aos Membros da Câmara de Deputados.


Cavalheiros:

Estais no caminho certo. Rejeitais as teorias abstratas e tendes pouca consideração para com a abundância e a barateza. Preocupais-vos, sobretudo, com os interesses do produtor. Desejais protegê-lo da concorrência externa e quereis reservar o mercado nacional para a indústria nacional.

Vimos oferecer-vos uma maravilhosa oportunidade para aplicardes a vossa - como diremos? A vossa teoria? Não, nada é mais enganador que a teoria. A vossa doutrina? O vosso sistema? O vosso princípio? Mas vós não gostais de doutrinas, tendes horror aos sistemas, e, quanto aos princípios, vós negais que eles existam na economia. Diremos, pois, a vossa prática - a vossa prática, sem teorias e sem princípios.

Estamos sofrendo a intolerável concorrência de um rival estrangeiro que, ao que parece, se beneficia de condições muito superiores às nossas para a produção de luz, com a qual ele inunda completamente o nosso mercado nacional a um preço fabulosamente baixo. No momento em que ele surge, as nossas vendas cessam, todos os consumidores recorrem a ele, e um ramo da indústria francesa, cujas ramificações são inumeráveis, é subitamente atingido pela mais completa estagnação. Este rival, que vem a ser ninguém menos que o sol, faz-nos uma concorrência tão impiedosa, que suspeitamos ser incitado pela pérfida Inglaterra (boa diplomacia nos tempos que correm!), visto que tem por aquela esnobe ilha uma condescendência que se dispensa de ter para conosco.

Pedimos-vos encarecidamente, pois, a gentileza de criardes uma lei que ordene o fechamento de todas as janelas, clarabóias, frestas, gelosias, portadas, cortinas, persianas, postigos e olhos-de-boi; numa palavra, de todas as aberturas, buracos, fendas e fissuras pelas quais a luz do sol tem o costume de penetrar nas casas, para prejuízo das meritórias indústrias de que nos orgulhamos de ter dotado o país - um país que, por gratidão, não poderia abandonar-nos hoje a uma luta tão desigual.

Certos estamos, nobres deputados, de que não tomareis o nosso pedido por uma sátira, e não o rejeitareis sem ao menos escutar as razões que exortaremos em seu apoio.

Em princípio, e se fechardes, o máximo possível, todo o acesso à luz natural, criando assim uma demanda por luz artificial, qual indústria francesa não se sentirá estimulada?

Se mais sebo for consumido, terá de haver mais gado bovino e ovino; e, consequentemente, ver-se-á multiplicarem-se as pastagens, a carne, a lã, o couro e, sobretudo, o estrume, que é o alicerce de toda a riqueza agrícola.

Se mais óleos forem consumidos, ver-se-á expandir-se a cultura da papoula, da oliveira e do nabo. Estas plantas ricas e erosivas oportunamente nos permitirão aproveitarmo-nos da crescente fertilidade que o rebanho adicional trará às nossas terras.

Nossos campos cobrir-se-ão de árvores resinosas. Numerosos enxames de abelhas recolherão, nas nossas montanhas, tesouros perfumados que emanam das flores - as quais hoje desperdiçam suas fragrâncias no ar desértico. Não haverá, pois, um único ramo da agricultura que não se beneficiará enormemente de tal política.

A mesma observação vale para a navegação: milhares de barcos dedicar-se-ão à caça de baleias e, em pouco tempo, haveremos de ter uma frota capaz de manter a honra da França e de gratificar as aspirações patrióticas dos peticionários abaixo assinados: os fabricantes de vela e outros.

Mas que diremos nós dos artigos manufaturados em Paris? Já podemos visualizar os enfeites dourados, os bronzes, os cristais nos candelabros, nos lampadários, nos lustres e nos candeeiros brilhando em espaçosos magazines, face aos quais as lojas de hoje não passam de meras butiques.

O pobre resineiro, no alto do litoral, ou o triste mineiro, no fundo da sua negra galeria, irão regozijar-se com maiores salários e com seu bem-estar aumentado.

Querei refletir sobre isto, cavalheiros; e ficareis convencidos de que não há talvez um só francês, do mais opulento proprietário de minas de carvão ao mais humilde vendedor de fósforos, a quem o sucesso da nossa petição não traga melhorarias de condição.

Prevemos as vossas objeções, cavalheiros; mas sabemos que vós não nos oporeis uma única objeção que não tenhais retirado daqueles decadentes livros utilizados pelos defensores do livre comércio. Ousamos desafiar-vos a pronunciar uma só palavra contra nós que não se volte imediatamente contra vós próprios e contra os princípios que norteiam toda a vossa política.

Dir-nos-eis que, se por um lado nós ganhamos com esta proteção que buscamos, por outro a França só terá a perder com ela, uma vez que o consumidor arcará com as despesas.

Responder-vos-emos:

Não mais tendes o direito de invocar os interesses do consumidor. Pois sempre que o interesse deste se viu em confrontação com o do produtor, sacrificastes sempre o próprio consumidor - e assim procedestes, de maneira sábia, para estimular o trabalho e aumentar o emprego. Pelo mesmo motivo, deveis de novo fazê-lo.

Haveis respondido vós próprios à objeção. Quando vos diziam que o consumidor está interessado na livre importação do ferro, do carvão, do sésamo, do trigo, dos têxteis, vós dizíeis: "sim, mas o produtor está interessado na sua exclusão". Pois bem! Se os consumidores estão interessados na livre admissão da luz natural, os produtores de luz artificial estão igualmente interessados na sua proibição.

Porém, novamente, vós podereis dizer ao povo que o produtor e o consumidor são indivisíveis. Se o fabricante ganhar com a proteção, fará do agricultor também um ganhador. E se a agricultura prosperar, abrir-se-ão mercados para as fábricas. Destarte, se nos conferirdes o monopólio da iluminação durante o dia, compraremos muito sebo, carvão, óleo, resina, cera, álcool, prata, ferro, bronze e cristal para alimentar a nossa indústria. Além disso, nós e os nossos numerosos fornecedores, enriquecidos, consumiremos muito e espalharemos a prosperidade por todos os ramos da indústria nacional.

Se disserdes que a luz do sol é uma dádiva da natureza, e que rejeitar tais dádivas seria o mesmo que rejeitar a própria riqueza sob o pretexto de se estar estimulando os meios de adquiri-la, então teremos de alertar-vos que estais pondo em risco toda a vossa própria política.

Notai que até agora haveis sempre rejeitado o produto estrangeiro exatamente por ele se aproximar da dádiva gratuita. Para aquiescerdes às exigências dos outros monopolistas, não foram necessários motivos; e rejeitar-nos fundamentando-vos precisamente naquilo em que estamos mais fundamentados que os outros seria como adotar a equação: + × + = - . Em outras palavras, seria acumular absurdo sobre absurdo.

A natureza e o trabalho humano cooperam em proporções diversas (dependendo dos países e dos climas) para a criação de um produto. A parte que corresponde à natureza é sempre gratuita; é a parte executada pelo trabalho humano que dá valor ao produto e é por ela que se paga.

Se uma laranja de Lisboa é vendida pela metade do preço de uma laranja de Paris, é porque o calor natural, e por consequência gratuito, faz por uma o que o calor artificial, e por isso custoso, precisa fazer pela outra

Assim, quando uma laranja nos chega de Portugal, podemos dizer que metade nos é dada gratuitamente e a outra metade, com custos; em outras palavras, ela chega a nós pela metade do preço da laranja de Paris.

Ora, é precisamente essa "semi-gratuidade" (perdão pela palavra) que deve ser repudiada. Vós direis: Como poderia a mão-de-obra nacional suportar a concorrência da mão-de-obra estrangeira quando a primeira tem tudo a fazer, e a última não tem de satisfazer senão metade das necessidades, encarregando-se o sol do resto?

Mas se essa "semi-gratuidade" vos leva a rejeitar a concorrência, por que a "gratuidade" inteira vos levaria a admitir a concorrência? Ou não sois lógicos, ou deveis, rejeitando a semi-gratuidade como prejudicial à indústria nacional, rejeitar com o dobro do zelo a gratuidade inteira.

Repetindo: quando produtos como carvão, trigo ou têxteis nos chegam de fora e podemos adquiri-los com menos trabalho do que se o fizéssemos nós mesmos, a diferença é uma dádiva gratuita que nos é conferida. Essa dádiva será mais ou menos considerável quanto maior ou menor for essa diferença. Esta diferença será de um quarto, metade, ou três quartos do valor do produto se o estrangeiro nos pedir apenas três quartos, metade ou um quarto do preço que pagaríamos normalmente. E ela será máxima quando o doador (como faz o sol em relação à luz) não nos pede nada.

A questão, e colocamo-la formalmente, é essa: quereis para a França o benefício do consumo gratuito ou as pretensas vantagens da produção onerosa? Escolhei, mas sede lógicos; pois, enquanto rejeitais o carvão, o ferro, o trigo e os têxteis estrangeiros pelo fato de seus preços se aproximarem de zero, que inconsistência seria admitir a luz do sol, cujo preço é zero, durante todo o dia!

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Ter Out 30, 2012 10:47 am

Acho que o meu título pra este artigo seria: "Por que a democracia é uma falácia", ou alguma coisa do tipo...


O valor do voto e a democracia do mercado


por Joel Pinheiro da Fonseca, terça-feira, 30 de outubro de 2012

Uma lei proíbe a distribuição de santinhos em dias de eleição, o que, quando ocorre, causa indignação geral. Mas ao invés de partilhar dessa indignação —
justa, na minha opinião —, pensemos um pouco sobre o que essa lei significa: se se proíbe santinhos no dia da eleição, é porque julga-se que eles podem influenciar o resultado das urnas. E se esse raciocínio está correto, então existe um tipo de eleitor mais ou menos assim: alguém que sai de casa com um voto em mente, anda até sua sessão eleitoral e, no caminho, pelo mero fato de ver um papelzinho pisado no chão com foto e número de outro candidato, muda de escolha; um número e uma foto num papel foram o bastante para mudar suas convicções (e voto não deveria refletir convicções?). Esse tipo de eleitor é, segundo os próprios políticos que fizeram e aprovaram a lei, numeroso o bastante para alterar o resultado das eleições, justificando a proibição. Sendo assim, dá para levar a sério o resultado das urnas?

A crença na suscetibilidade do eleitorado não é infundada. Basta que nos lembremos da propaganda eleitoral vista na TV (ou ouvida no rádio, experiência que só pode levar ou ao riso, ou ao suicídio). O principal jingle de um dos candidatos destas eleições (prefeitura, 2012) em São Paulo foi uma paródia de "Eu quero tchu/ Eu quero tchá"; e as outras campanhas não deixaram por menos. É esse o nível que os próprios candidatos e suas equipes de marketing atribuem ao eleitorado, e a julgar pela recorrência da estratégia, eles devem estar certos.

Então, temos, de um lado, essa realidade dos eleitores tratados — talvez justificadamente — como retardados mentais. De outro, campanhas incessantes pelo "voto consciente"; sobre como é importantíssimo conhecer o passado e as propostas de cada candidato, compará-las, escolher o mais preparado, acompanhar de perto seu desempenho; e sobre como falhar nisso é falta de cidadania. A realidade, entretanto, permanece a mesma: poucos se lembram em quem votaram (eu mesmo me esqueço facilmente), e ninguém está nem aí para programa de governo e nem se interessa, além das manchetes escolhidas pelos jornais, pela
atuação de seu candidato eleito. Por que será?

Uma escolha peculiar

Deixemos os pudores de lado e tratemos o voto como um ato humano, sujeito a pressões e incentivos como todas as ações. Como todo ato humano, ele visa a certos fins, se utiliza de certos meios, e tem embutido em si algum cálculo informal de custos e benefícios por parte do agente. Vamos comparar o ato de votar aos demais atos que compõem nossa vida.

Na imensa maioria de nossos atos, a consequência mais importante é sentida ou pelo agente que o pratica ou por outras pessoas facilmente identificáveis e, em geral, envolvidas na ação. Escolher o que comer, beber, ler um livro, comprar um disco, iniciar uma conversa; o efeito primário desses atos envolve o agente e outras pessoas próximas, e delas se segue uma série de consequências que acabam impactando, em graus cada vez mais difíceis de medir, outros indivíduos. No mercado, o sistema de preços permite que as consequências de nossas escolhas sejam quantificadas em uma variável comum (o preço), o que permite que outros agentes, que nem me conhecem e nem sabem meu gosto literário, se adaptem da melhor forma possível à minha escolha de livro na livraria ou a meu pedido no restaurante. Se mais gente, digamos, escolhe a opção vegetariana no menu, menos carne é vendida, o preço dela no mercado cai,
os restaurantes compram menos dos distribuidores e assim por diante até a consequência de que algumas terras nas quais antes se criava gado agora são usadas para o plantio de hortaliças.

Em ações como essa da compra, o agente tem um incentivo muito claro para se informar em alguma medida das alternativas à sua disposição, pois paga um preço pela escolha. Ocorre ali um investimento de dinheiro e tempo, que são limitados. Ao escolher uma marca de papel-toalha, decisão com poucas consequências e facilmente corrigível no futuro, qualquer uma vai; não é preciso pesquisar ou se informar longamente; nossos hábitos e experiências
passadas bastam. Ao comprar um carro, pergunta-se a opinião de conhecidos, lê-se alguma revista especializada, compara-se alguns modelos, faz-se um test drive, etc. Para comprar ou alugar uma casa, vale o mesmo: intensa pesquisa, diversas visitas, negociações. Isso porque o custo dessa escolha é alto, e teremos que viver com suas consequências, em geral, por anos.

Agora pensemos no voto. Seu custo é baixíssimo: uma vez na zona eleitoral, escolher entre o candidato A e o B não traz consigo custo adicional nenhum. É um ato sem efeitos diretos para o eleitor: se escolhi A, ou se escolhi B, nada muda. Seu efeito marginal (ou seja, o efeito de um voto a mais para algum candidato) é zero. Os efeitos acumulados de vários votos no longo prazo, contudo, são potencialmente enormes e afetam toda a sociedade indiscriminadamente (e não só quem votou no candidato eleito). Dadas essas características, o voto é, para o eleitor individual, um ato praticamente sem custo e sem benefícios; e por isso mesmo ele pode se dar ao luxo de votar em qualquer um, sem medir as consequências. Foi com a cara? Gostou da música? Uma proposta te agradou à primeira vista? Então vote nele! Para quê gastar tempo e neurônios investigando a vida de pessoas absolutamente banais, e ainda
por cima ter que ficar acompanhando seu trabalho uma vez eleitos? Para quê investir tanto em uma escolha de retorno zero?

Como já foi dito, no entanto, o efeito de vários votos acumulados pode ser enorme. Um candidato diferente, ideias diferentes no poder, podem causar profundos impactos na sociedade. E daí se justifica a campanha pelo voto consciente: devemos escolher o candidato com melhores propostas para a sociedade, e que tenha mais probabilidade de, uma vez eleito, cumprir o que prometeu. Mas vejam o tamanho do problema criado: devemos ser impelidos por um desejo de longo prazo e genérico (pois não estamos escolhendo efetivamente nada em concreto, e sim apenas uma pessoa que terá poder de implementar certas medidas) a investir tempo em uma escolha que, por si só, não terá efeito nenhum, nem para nós e nem para os outros.

Há, assim, algo de quixotesco na campanha do voto consciente, que exige que cidadãos comuns dediquem parte relevante de seu tempo escasso para pesquisar e pensar sobre os políticos, sendo que nada ganharão com isso. Tanto o voto plenamente consciente quanto o voto determinado pelo "quero tchu" têm o mesmo peso, e ambos os eleitores sofrerão as mesmas exatas consequências.

A informação impossível

Mas sejamos quixotescos. Vamos aderir à campanha do voto consciente e mergulhar com tudo nas demandas da cidadania para saber o que elas de fato requerem de nossa parte. Qual o tipo de conhecimento que um eleitor precisaria ter para tomar uma decisão informada nas eleições?

A primeira coisa que se deve conhecer na hora de votar são suas próprias preferências, o que não é trivial. Não é nada incomum que a opinião que a pessoa tenha sobre seus desejos e valores não reflita, de forma alguma, seus desejos e valores reais. "Você gostaria que o governo investisse muito mais em cultura, esporte e proteção das florestas?" "Mas é claro! Aqui vai meu voto!". Na vida real, a mesma pessoa não abriria mão de um cafezinho da tarde para financiar um músico, artista plástico ou araucária.

Na verdade, dado o mundo de escassez em que vivemos, talvez ela preferisse menos artistas e esportistas. Aliás, o eleitor concorda com a lógica de se
impor a todos a preferência dele expressa no voto? Pois é isso que o sistema político estabelece, embora não goste de dizê-lo às claras. É claro que em uma compra, na escolha feita no mercado, também vigora muita autoilusão ("quando eu comprar aquele laptop da moda, aí sim serei feliz!"), mas é o próprio comprador que paga o preço dela, e não a impõe ao resto da sociedade, o que a torna muito menos problemática e já fornece, por sua própria natureza, os mecanismos para superar a ilusão ("puxa, estourei o cartão de crédito e esse computador não é nada demais... hora de maneirar!").

Suponhamos, contudo, que os eleitores estejam satisfatoriamente cônscios de suas preferências reais e dos custos que elas imporiam à sociedade. Resta a principal parte de seu trabalho: analisar as propostas dos candidatos. Essas propostas versam sobre segurança pública, transportes, educação, saúde, política fiscal, energia, relações internacionais, etc. E em cada uma delas estão em jogo diferentes teorias sobre qual o melhor caminho a seguir; teorias que podem ser verdadeiras ou falsas. Uma proposta atraente em uma primeira leitura pode ser desastrosa na prática, porque a teoria que a embasa é falsa, e isso não depende da opinião popular. Muitos eleitores julgaram uma boa ideia, por exemplo, o congelamento de preços do governo Sarney para controlar a inflação. Mal sabiam o quão desastrosa essa política é (e efetivamente foi) para qualquer sociedade que tente implantá-la. Não é só porque o povo votou em uma ideia (e quem dera votasse em ideias!) que essa ideia é verdadeira ou benéfica à sociedade.

Imagine se, na construção de uma ponte ou túnel, utilizássemos o voto popular para decidir acerca do projeto ou mesmo da "teoria física" que o embasaria. A ciência econômica, ainda que seja palco de enormes divergências entre seus praticantes, pretende chegar a conhecimentos verdadeiros acerca do funcionamento do mercado. Keynes ou Mises, Paul Krugman ou Ron Paul, Sidnei Santana ou Nabil Bonduki; seja quem for que esteja certo, o fato é que ambos os lados têm teorias incompatíveis sobre a realidade. E dado que pelo menos um dos dois está profundamente errado, fazer política com base em suas teorias é uma loucura comparável — provavelmente maior — do que construir uma ponte ou um prédio com engenharia falsa. Qual o sentido, portanto, de fazer esse
tipo de decisão com base no voto?

Para entender por que o congelamento de preços não funciona e gera toda uma série de efeitos danosos, é preciso ter algum conhecimento de economia, coisa que a maioria da população não tem, jamais terá. E é até bom que não tenha, pois as pessoas têm interesses e tarefas diferentes, e aprender algo sobre um assunto exige tempo e recursos que não serão, por isso, investidos em outras coisas que poderiam ser mais úteis para elas e para a sociedade. E estamos falando apenas de economia. O governo, hoje em dia, interfere em basicamente todas as esferas da existência humana. A avaliação consciente das propostas de um candidato, portanto, envolverá necessariamente conhecimentos de economia, administração, segurança pública, saúde pública, pedagogia, física,
logística, relações internacionais, urbanismo, Direito, etc. Está bem claro que ninguém, a começar pelo próprio candidato, detém o conhecimento teórico necessário para tomar uma decisão consciente em todos esses campos.

A informação inexistente

Por fim, há o problema — esse não apenas de difícil solução mas verdadeiramente insolúvel — da escolha das prioridades. Como saber se a cidade ou o país precisa mais urgentemente de saúde, educação ou lazer? Mais auxiliares na sala de aula ou mais fiscais para detectar focos de dengue? Não há recursos para fazer tudo, então escolhas dolorosas terão de ser feitas. E não apenas entre setores genéricos, mas mesmo para casos específicos: supondo que o governo decida fazer mais investimentos em saúde, esses investimentos devem ir para que direção: diagnóstico geral? Novos tratamentos de doenças graves? Medicina preventiva para a população? Construir novos postos de atendimento? Novamente, por mais recursos que se destinem a uma área, como a saúde, eles nunca serão o suficiente para suprir todas as demandas nela existentes. E qual é, então, a base para esse tipo de escolha?

No mercado, são os lucros e prejuízos que sinalizam as preferências dos indivíduos e permitem que investimentos sejam feitos naqueles setores nos quais a demanda é mais urgente. Investimentos ruins são deficitários e recebem menos investimentos futuros; investimentos bons sinalizam boas oportunidades de negócios, atraindo mais recursos para aquele fim. O estado trabalha sem lucros e prejuízos (sua renda vem de outras fontes...), e portanto os gestores políticos não podem nem sequer saber se o investimento deles está de fato atendendo às demandas mais prementes da população (o que é diferente de saber se eles atendem a alguma demanda; afinal, mesmo investimentos notoriamente ruins como as obras para os jogos panamericanos, e agora olímpicos, no Rio acabam tendo alguma serventia) ou se apenas destroem valor. Essa ignorância não advém da falta de conhecimento científico ou teórico; ela advém do fato de que, fora do mercado, a informação simplesmente não é gerada.

Não temos acesso às preferências dos eleitores sobre as diversas necessidades da vida. E mesmo se tivéssemos, esse dado seria uma lista de preferências ordinais impossíveis de comparar e de transformar em alguma proposta prática; sem a intermediação dos preços em dinheiro, a comparação se torna impossível. Então, mesmo que o voto revelasse preferências reais (e não sonhos ilusórios ou ainda o gosto por um jingle), ele não nos daria meio algum para priorizar umas sobre as outras.

A campanha pelo voto consciente não é apenas quixotesca, mas cruel. Ela exige, para ser cumprida a contento, que os eleitores abram mão de parte de suas vidas — de seu trabalho, dos estudos, do tempo livre que se dedicam a outras atividades — para aprender e pensar longamente em uma série de questões que não lhes interessam e as quais pouco ou nada conhecem e sobre as quais terão, individualmente, poder de decisão próximo de zero. Pior ainda é ter que ficar lendo biografia e acompanhando a carreira de políticos, pessoas absolutamente banais e cujos caprichos importam apenas porque escolhemos dar a eles poderes quase ilimitados sobre nossas vidas.

A campanha pelo voto consciente exige de nós um investimento pessoal enorme para um retorno individual minúsculo, que em geral se resume a ajudar infinitesimalmente a um candidato visto como menos pior. E mesmo cumpridas todas as exigências de estudo, o critério para se escolher uma prioridade sobre outra, e assim poder comparar planos de governo diferentes, continua faltando. Esse problema afeta não só o eleitor mas o próprio político: ele não tem como saber que investimentos fazer, e isso praticamente garante que os investimentos públicos serão sempre ineficientes. No lugar do lucro, que não existe, resta à política guiar-se por diretrizes burocráticas e procedurais, que demandam, por si só, investimentos à parte.

Privilégio ou fardo?

É comum que consideremos o voto uma honra, um direito valiosíssimo e, tendo em vista o que vigorou na maior parte da história e ainda hoje em diversas partes do globo, um privilégio. Não nego que exista uma verdade nessa percepção: há um grande valor em que uma população possa, sem recurso às armas, mudar seus governantes. Mas sob outro ponto de vista, igualmente válido, o voto é um fardo e um estorvo: uma responsabilidade que não temos a capacidade de atender.

Você se sente feliz por votar os rumos de sua cidade, estado e país? Eu não. Imagino como seria se um dia eu acordasse de manhã e me dissessem: "Joel, agora a produção e a distribuição de comida no Brasil ficarão a seu cargo. Qual desses planos de investimento e operação você considera melhor para o país pelos próximos quatro anos? Lembre-se que se você escolher mal e pessoas morrerem de fome, a culpa será sua". A única pergunta que caberia aqui é quem foi o idiota que deixou essa responsabilidade em minhas mãos. Que essa responsabilidade não seja só minha, mas dividida igualmente entre todos os outros brasileiros, apenas ameniza a culpa individual (permitindo que sigamos em frente com a vida sem paralisar frente aos dilemas que se nos colocam), mas não a burrada de delegá-la a todas as pessoas que, como eu, não se interessam, não têm e nem deveriam ter nada a ver com a produção de comida. Ainda bem
que, por enquanto, esse setor ainda não foi estatizado, embora nele vigorem diversas regulamentações que o tornam muito menos eficiente. Por que com saúde, eletricidade, transportes, segurança e educação deveria ser diferente?

Menos voto, mais mercado

Engana-se quem acha que a solução deveria ser menos democracia, substituindo o voto popular por critérios técnicos ou pelo mando de um déspota, pois não há critério técnico viável para se tomar a decisão que cabe aos governantes. Assim, não vejo o problema como excesso de democracia em oposição a outras formas de governo; o problema é excesso de estado em oposição à sua alternativa, o mercado. Um estado poderoso como o nosso, mas que se comportasse de forma antidemocrática, poderia ser ainda pior, ao não dar à população nenhuma possibilidade de interferir em seus rumos; um ditador tomaria o lugar dos milhões de eleitores. O melhor seria, contudo, que a população não precisasse interferir via voto no rumo da sociedade, não porque ela não tivesse voto e voz, mas porque o estado não definisse esses rumos. Já imaginou um mundo em que os políticos não ocupassem, todos os dias, as principais manchetes dos jornais?

Quando você vota, você dá um chute no escuro; toma uma pretensa decisão sem as informações necessárias para tomá-la (informações que nem existem fora do processo de mercado que gera preços, lucros e prejuízos) e sem ao menos saber ao certo — e nem ter qualquer incentivo para descobrir — se aquilo representa suas reais preferências ou apenas um desejo ilusório de criar benefícios cujos custos não percebemos. Opiniões erradas, falta de informações, preferências ilusórias; será esse um bom modo de se tomar escolhas importantes para a sociedade? Compare com a compra e com o sistema de preços, que resolvem esses problemas sem necessidade de extensas pesquisas sobre a vida e carreira dos empresários.

Simbolicamente, há algo belo no voto. Ele simboliza, e em alguma medida garante algum tipo de poder de decisão das pessoas, em conjunto, sobre o futuro de sua sociedade. É a livre transação no mercado, no entanto, que realmente concretiza esse ideal. O voto é uma imitação canhestra do processo de mercado. Comparemo-los: o voto é uma escolha sem custos para o indivíduo e que impacta a todos indiscriminadamente; a compra é uma escolha em que o principal impactado é o próprio comprador e na qual ele arca com o custo de sua decisão. O voto premia apenas a opção vencedora, a escolha da maioria; a compra abre a possibilidade de diversas opções diferentes encontrarem sua demanda. O voto depende de que o eleitor acumule uma quantidade desumana de informações para tomar uma "decisão consciente"; a compra se baseia na avaliação do produto e no preço de mercado, que, por si só, já revela a escassez relativa daquele bem e premia ou pune os responsáveis por sua produção, desobrigando o consumidor de conhecer o processo produtivo que o criou (o que, em um mundo de tempo escasso como o nosso, é uma grande vantagem). O voto é um feedback tardio, que demora quatro anos para se fazer sentir; a compra é uma resposta imediata e constante, premiando os empreendedores que acertam e punindo os que erram ininterruptamente.

Com o voto, na melhor das hipóteses, elege-se o que uma maioria considera ser um bom plano, sem garantia alguma de que ele de fato se paute na realidade das coisas; com a compra no mercado, descobre-se realmente quais planos eram realistas e quais baseavam-se em crenças falsas — e o melhor de tudo, quem arca com o custo dos erros é apenas quem apostou na ideia, enquanto os ganhos, além de premiarem quem acertou, beneficiam também todos os consumidores. Com o voto, escolhe-se entre políticos profissionais definidos por suas relações políticas e habilidade de manipular os outros; no sistema de compras e vendas, todo mundo pode se arriscar, dar o seu melhor e ofertar aos outros as soluções que ele pensou para alguma área da vida humana.

É compreensível que, em algumas situações, o voto seja a única opção disponível. Sempre que possível, no entanto, o mercado deveria ser preferido, pois trata-se de um sistema muito superior à democracia em permitir que as pessoas se relacionem e vivam melhor. Talvez por ser algo corriqueiro, diário, enquanto o voto é um evento raro, especial, que ocorre apenas a cada dois anos, o segundo inspire muito mais que o primeiro. Saibam, contudo, que ao sair com a família para algum restaurante depois da votação neste domingo último (para as cidades que tiveram segundo turno), ou mesmo ao parar em uma padaria e pedir um cafezinho, vocês contribuíram mais para o bem social do que ao digitar os números na urna eletrônica.

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Qui Nov 01, 2012 11:37 am

Não vou publicar artigo hoje, só essa figurinha que já fala pra cacete.


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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Qua Dez 19, 2012 8:37 am

A culpa da formatação é do Firefox. XD Isso que é exposto aqui, é uma coisa bem importante de se compreender.


Por que os intelectuais odeiam o capitalismo?


por Jesús Huerta de Soto, quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

N.do T.: o artigo a seguir foi adaptado de um discurso improvisado feito pelo autor, daí o seu tom mais coloquial.



Por que os intelectuais sistematicamente odeiam o capitalismo? Foi essa pergunta que Bertrand de Jouvenel (1903-1987) fez a si próprio em seu artigo Os
intelectuais europeus e o capitalismo
.

Esta postura, na realidade, sempre foi uma constante ao longo da história. Desde a Grécia antiga, os intelectuais mais distintos — começando por Sócrates, passando por Platão e incluindo o próprio Aristóteles — viam com receio e desconfiança tudo o que envolvia atividades mercantis, empresariais, artesanais ou comerciais.


E, atualmente, não tenham nenhuma dúvida: desde atores e atrizes de cinema e televisão extremamente bem remunerados até intelectuais e escritores de renome mundial, que colocam seu labor criativo em obras literárias — todos são completamente contrários à economia de mercado e ao capitalismo. Eles são contra o processo espontâneo e de interações voluntárias que ocorre de mercado. Eles querem controlar o resultado destas interações. Eles são socialistas. Eles são de esquerda. Por que é assim?


Vocês, futuros empreendedores, têm de entender isso e já irem se acostumando. Amanhã, quando estiverem no mercado, gerenciando suas próprias empresas, vocês sentirão uma incompreensão diária e contínua, um genuíno desprezo dirigido a vocês por toda a chamada intelligentsia, a elite intelectual, aquele grupo de intelectuais que formam uma vanguarda. Todos estarão contra vocês.

"Por que razão eles agem assim?", perguntou-se Bertrand de Jouvenel, que em seguida pôs-se a escrever um artigo explicando as razões pelas quais os intelectuais — no geral e salvo poucas e honrosas exceções — são sempre contrários ao processo de cooperação social que ocorre no mercado.


Eis as três razões básicas fornecidas por de Jouvenel:


Primeira, o desconhecimento. Mais especificamente, o desconhecimento teórico de como funcionam os processos de mercado. Como bem explicou Hayek, a ordem social empreendedorial é a mais complexa que existe no universo. Qualquer pessoa que queira entender minimamente como funciona o processo de mercado deve se dedicar a várias horas de leituras diárias, e mesmo assim, do ponto de vista analítico, conseguirá entender apenas uma ínfima parte das leis que realmente governam os processos de interação espontânea que ocorrem no mercado. Este trabalho deliberado de análise para se compreender como funciona o processo espontâneo de mercado — o qual só a teoria econômica pode proporcionar — desgraçadamente está completamente ausente da rotina da maior parte dos intelectuais.

Intelectuais normalmente são egocêntricos e tendem a se dar muito importância; eles genuinamente creem que são estudiosos profundos dos assuntos sociais. Porém, a maioria é profundamente ignorante em relação a tudo o que diz respeito à ciência econômica.

A segunda razão, a soberba. Mais especificamente, a soberbado falso racionalista. O intelectual genuinamente acredita que é mais culto e que sabe muito mais do que o resto de seus concidadãos, seja porque fez vários cursos universitários ou porque se vê como uma pessoa refinada que leu muitos livros ou porque participa de muitas conferências ou porque já recebeu alguns prêmios. Em suma, ele se crê uma pessoa mais inteligente e muito mais preparada do que o restante da humanidade. Por agirem assim, tendem a cair no pecado fatal da arrogância ou da soberba com muita facilidade.

Chegam, inclusive, ao ponto de pensar que sabem mais do que nós mesmos sobre o que devemos fazer e como devemos agir. Creem genuinamente que estão legitimados a decidir o que temos de fazer. Riem dos cidadãos de ideias mais simplórias e mais práticas. É uma ofensa à sua fina sensibilidade assistir à televisão. Abominam anúncios comerciais. De alguma forma se escandalizam com a falta de cultura (na concepção deles) de toda a população. E, de seus pedestais, se colocam a pontificar e a criticar tudo o que fazemos porque se creem moral e intelectualmente acima de tudo e todos.

E, no entanto, como dito, eles sabem muito pouco sobre o mundo real. E isso é um perigo. Por trás de cada intelectual há um ditador em potencial. Qualquer
descuido da sociedade e tais pessoas cairão na tentação de se arrogarem a si próprias plenos poderes políticos para impor a toda a população seus peculiares pontos de vista, os quais eles, os intelectuais, consideram ser os melhores, os mais refinados e os mais cultos.

É justamente por causa desta ignorância, desta arrogância fatal de pensar que sabem mais do que nós todos, que são mais cultos e refinados, que não devemos estranhar o fato de que, por trás de cada grande ditador da história, por trás de cada Hitler e Stalin, sempre houve um corte de intelectuais aduladores que se apressaram e se esforçaram para lhes conferir base e legitimidade do ponto de vista ideológico, cultural e filosófico.

E a terceira e extremamente importante razão, o ressentimento e a inveja. O intelectual é geralmente uma pessoa profundamente ressentida. O intelectual se encontra em uma situação de mercado muito incômoda: na maior parte das circunstâncias, ele percebe que o valor de mercado que ele gera ao processo produtivo da economia é bastante pequeno. Apenas pense nisso: você estudou durante vários anos, passou vários maus bocados, teve de fazer o grande sacrifício de emigrar para Paris, passou boa parte da sua vida pintando quadros aos quais poucas pessoas dão valor e ainda menos pessoas se dispõem a comprá-los. Você se torna um ressentido. Há algo de muito podre na sociedade capitalista quando as pessoas não valorizam como deve os seus esforços, os seus belos quadros, os seus profundos poemas, os seus refinados artigos e seus geniais romances.

Mesmo aqueles intelectuais que conseguem obter sucesso e prestígio no mercado capitalista nunca estão satisfeitos com o que lhes pagam. O raciocínio é sempre o mesmo: "Levando em conta tudo o que faço como intelectual, sobretudo levando em conta toda a miséria moral que me rodeia, meu trabalho e meu esforço não são devidamente reconhecidos e remunerados. Não posso aceitar, como intelectual de prestígio que sou, que um ignorante, um parvo, um inculto empresário ganhe 10 ou 100 vezes mais do que eu simplesmente por estar vendendo qualquer coisa absurda, como carne bovina, sapatos ou barbeadores em um mercado voltado para satisfazer os desejos artificiais das massas incultas."

"Essa é uma sociedade injusta", prossegue o intelectual. "A nós intelectuais não é pago o que valemos, ao passo que qualquer ignóbil que se dedica a produzir algo demandado pelas massas incultas ganha 100 ou 200 vezes mais do que eu". Ressentimento e inveja.

Segundo Bertrand de Jouvenel,

O mundo dos negócios
é, para o intelectual, um mundo de valores falsos, de motivações vis, de
recompensas injustas e mal direcionadas . . . para ele, o prejuízo é resultado
natural da dedicação a algo superior, algo que deve ser feito, ao passo que o
lucro representa apenas uma submissão às opiniões das massas.


[...]


Enquanto o homem
de negócios tem de dizer que "O cliente sempre tem razão", nenhum intelectual
aceita este modo de pensar.
E prossegue de Jouvenel:

Dentre todos os
bens que são vendidos em busca do lucro, quantos podemos definir resolutamente
como sendo prejudiciais? Por acaso não
são muito mais numerosas as ideias prejudiciais que nós, intelectuais,
defendemos e avançamos?
Conclusão

Somos humanos, meus caros. Se ao ressentimento e à inveja acrescentamos a soberba e a ignorância, não há por que estranhar que a corte de homens e mulheres do cinema, da televisão, da literatura e das universidades — considerando as possíveis exceções — sempre atue de maneira cega, obtusa e tendenciosa em relação ao processo empreendedorial de mercado, que seja profundamente anticapitalista e sempre se apresente como porta-voz do socialismo, do controle do modo de vida da população e da redistribuição de renda.


Jesús Huerta de Soto , professor de economia da Universidade Rey Juan Carlos, em Madri, é o principal economista austríaco da Espanha. Autor, tradutor, editor e professor, ele também é um dos mais ativos embaixadores do capitalismo libertário ao redor do mundo. Ele é o autor da monumental obra Money, Bank Credit, and Economic Cycles.

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Sex Jan 25, 2013 12:57 pm

Texto extraído do Blog "Livre e Liberdade", que não tem muito a ver com economia, mas que carrega idéias que deveriam ser mais cultivadas.

EM DEFESA DE ALMEIDINHA


Escrevo este artigo em resposta à crônica “Direitos Humanos para Humanos Direitos” , de Matheus Pichonelli, publicada na Carta Capital.

No seu texto, o cronista se dedica a criticar o tipo ideal weberiano da classe média urbana brasileira, representada pelo personagem Almeidinha. Trata-se de um homem comum, relativamente bem-sucedido, mas que não realizou todos os seus sonhos e aspirações.

“Resmungão em casa, satisfeito com o emprego na “firma” e à espera da aposentadoria para poder tomar banho, colocar pijama às quatro da tarde, assistir ao Datena e reclamar da janta preparada pela esposa”.
O Almeidinha, ativista virtual e cidadão de bem.

O cronista o ataca sem piedade. Debocha do seu senso de humor politicamente incorreto, das suas revistas pornográficas escondidas, do seu jeitão de pai de família conservador, e principalmente de suas convicções ideológicas pouco embasadas por algum refinamento cultural maior. O autor critica seu asco pelos políticos do PT (como se não houvesse motivo para isto) e apedreja sua visão sobre direitos humanos, cuja síntese é a frase de Almeidinha que dá nome à crônica (como se ela não fosse lógica, ética e natural apesar de um clichê). Sobra até para o filho de Almeidinha.

Para facilitar o próprio serviço, o autor distorce alguns dos pensamentos do nosso amigo ou constrói alguns estereótipos que não correspondem à realidade. Não podemos julgar Almeidinha sem o devido processo da lei. Faço aqui minha defesa deste nosso inofensivo amigo.

Almeidinha não faz mal pra ninguém. Trabalha, produzindo riqueza, gerando valor às pessoas de bem da sociedade. Não sei o que a sua "firma" produz ou que serviços ela presta, mas assumindo que ela esteja sujeita à livre competição de mercado, se ela está no mercado é porque ela gera valor à sociedade. E se ela paga o salário de Almeidinha, é porque nosso amigo adiciona valor à firma e, portanto, à sociedade.

Almeidinha não rouba ninguém, diferentemente dos políticos e dos bandidos, que ele, dentro de sua limitação intelectual, corretamente critica ainda que por instinto.


Nosso amigo se contenta com pouco. Não imagino o Almeidinha berrando "FREEDOM!" em um campo de batalha como William Wallace, ou libertando escravos, como Spartacus. Tampouco o imagino inventando algo que mude os paradigmas da civilização, como Steve Jobs. Almeidinha se contenta com seu honesto emprego na firma, com a esposa gordinha, com o programa do Datena, e com as pernas da vizinha, que nem é tão bonita assim. Almeidinha talvez tenha sonhado alto sim. Queria ter a sua casa na praia, queria poder viajar mais com os filhos. Quando criança deve ter falado que queria ter um avião, uma mansão e um iate.

Não vejo nenhum problema em sonhar. Mas o fato é que se não fosse o Estado espoliador, seus impostos, suas montanhas de regulamentações atravancando o livre mercado, seus programas demagógicos e ineficientes e sua agenda anticapitalista feita para acumular poder político em detrimento da riqueza de todos; é provável que Almeidinha tivesse sua casa de praia. Seu salário seria maior e seus custos menores. E isto se chama padrão de vida. Almeidinha não é um lumiar da ciência, mas intuitivamente ele sabe que a demagogia populista inerente à atividade política e a espoliação socialista que os políticos promovem são os responsáveis por ele ter uma vida medíocre. Nosso pacato amigo não leu grandes autores, filósofos, economistas. Mas ele não precisa disso para ter uma boa dose de ética e de bom senso. O aprofundamento intelectual ajuda a aguçar ideias, vencer falácias, e aperfeiçoar a capacidade argumentativa; mas o bom senso e a ética são características predominantes da própria natureza humana (há explicações para este fato tanto nas religiões quanto na biologia evolutiva); desde que esta não seja contaminada e distorcida pela nefasta doutrinação política socializante, descambando assim para um estranho estado autodestrutivo cuja pulsão de morte Freud já tentou explicar.

Almeidinha é superficial, concordo. Suas piadinhas de futebol cansam. Sua leitura se resume a Veja e a outros veículos da mídia mainstream, que o impedem de enxergar toda a verdade. O impedem de ver, por exemplo, que o setor público serve apenas para destruir riqueza e cercear a liberdade, e é por isso que ele pede aos amigos um emprego público pro filhão. O impede de enxergar que os bandidos não estão indo para a cadeia e que Joaquim Barbosa e toda a fachada do julgamento do mensalão não passam de panem et circenses. Por outro lado, seu instinto paternal e de sobrevivência são louváveis. Almeidinha quer o melhor para os filhos e para sua família. Diferentemente da intelectualidade de esquerda, ele não flerta com a morte, com a autodestruição e com o fim da família. Por mais superficial que nosso amigo seja, ele está vivo, ele quer viver, ele sabe, como um animal evoluído sabe, que é importante proteger e preservar a célula familiar.

Já seus detratores, como aves mutantes expostas à radiação dos testes nucleares no Pacífico, perderam o elo com o instinto natural. Atacam a instituição familiar ao mesmo tempo em que defendem seus algozes, os bandidos, vistam eles ternos ou capuzes. E estes últimos, ao contrário do que diz Joaquim Barbosa, são muito piores que os de terno. Na minha escala de valores violência direta contra inocentes é pior que desvio de dinheiro. Mas vale lembrar que o alto comando petista também pratica violência direta contra inocentes. Vale lembrar que em última instância, a política é a institucionalização da violência contra inocentes.

Há uma honestidade libertária em Almeidinha, que lê revistas pornográficas, mas não gosta que sua menininha use minissaia. Não se trata de hipocrisia, muito pelo contrário. Nosso amigo defende a liberdade! Liberdade de uma mulher posar nua, liberdade de consumir pornografia; mas como bom pai, quer proteger sua prole, ao contrário de seus tarados detratores que falam de sexo explícito na frente de criancinhas (vide as repugnantes cartilhas de sexo petistas para as escolas). Um dia Almeidinha pode muito bem se embebedar em um happy hour depois do expediente e ser carregado pelos colegas, mas nem por isso ele quer o mesmo pro seu filho. Almeidinha pode não ter lido São Tomás de Aquino ou David Hume, mas intuitivamente ele sabe a diferença entre ética e moral.

Almeidinha tem senso de humor. Ri com piadas de judeu, negro, gay, loiras, almeidinhas; mas não tem tempo para ter preconceito com algum deles. Sua mulher é loira, seu barbeiro é gay, sua contadora é negra, seu amigo de infância é judeu, mas ele não tem tempo de se lembrar disso e de martelar o segregacionismo coletivista politicamente correto na cabeça das pessoas, como fazem os seus detratores. Almeidinha não viu a entrevista de Morgan Freeman, mas ele sabe que a melhor forma de acabar com o racismo é parar de falar nele. Almeidinha não leu Walter Williams (um brilhante economista negro), mas ele sabe que cotas não são apenas contraproducentes, mas também inerentemente antiéticas e racistas.

Almeidinha fugiu do serviço militar obrigatório e fez ele muito bem. Seu pai conhecia um coronel da 2ª Região Militar que livrou sua cara, e ele fez o mesmo para o filho através de um amigo da Marinha. Fez ele muito bem também, ainda que ocasionalmente ele tenha se arrependido ao ver o quarto bagunçado do garoto. Portanto ele não sabe usar uma metralhadora, tampouco uma bomba. E se soubesse não as usaria contra favelas ou universidades, assim como sua mulher jamais explodiria a vendedora da loja que trocou o tamanho vestido que ela encomendou. Os inimigos da liberdade não tem senso de humor e adoram usar o argumento do espantalho, ou seja, distorcer as palavras do seu alvo para ficar mais fácil atacá-lo. Mas convenhamos que a privatização das universidades e das favelas seria ideal para a sociedade, especialmente para os pobres. Sairiam perdendo os politicamente poderosos, os vagabundos das repartições públicas e a bandidagem.

Almeidinha preza o trabalho duro, e sabe que o bolsa-família é um tipo de suborno coletivo feito com dinheiro roubado. Por sua ignorância em economia, ele pode até não saber, mas o bolsa-família prejudica principalmente o pobre. Nosso amigo não estudou a teoria da microsecessão de Hans Hoppe, mas intuitivamente ele sabe que um Estado grande é uma ameaça à liberdade e sabiamente deseja separar-se da União.

O filho do Almeidinha está erroneamente estereotipado como vagabundo. Provavelmente estudou em uma faculdade paga razoável e trabalha em algum banco de investimentos ou consultoria de marketing. Gera valor pra sociedade, leva trabalho pra casa e economiza pra curtir uma baladinha no fim de semana. E sim, ele curte CQC (e eu, não obstante carregue certa fama de intelectual, curto muito ver a Monica Iozzi esculachando os bandidos do Congresso). E eu também odeio política. A política é violência e demagogia. O mercado é paz e eficiência. Almeidinha Junior está certo. Sem deixar seus instintos naturais e saudáveis se corromperem, ele gosta das menininhas, aprecia sua liberdade e tem medo de morrer. É por isso que, sabiamente, deseja a morte dos bandidos e a redução da maioridade penal. Sem muita erudição intelectual, ele pode até não saber, mas ao querer exterminar a bandidagem, ele está defendendo a preservação da civilização e talvez mesmo da espécie humana.

Por fim ressalte-se a incoerência da nova esquerda em seu infundado e desprezível ataque contra o pacato Almeidinha. Enquanto a velha esquerda, como Chico Buarque, tratava os almeidinhas com certa compaixão, como na música “O casamento dos pequenos burgueses”; os novos vermelhos, empiricamente derrotados pela queda do Muro de Berlim e pelo colapso da União Soviética, ressurgem ainda mais cancerígenos, defendendo os direitos daqueles que querem nos matar e nos roubar (os bandidos) ao mesmo tempo em que atacam o próprio direito de existir de um cidadão inocente. Incoerência é a bandeira deles. Almeidinha é um indivíduo médio. A menor minoria do mundo, como disse Ayn Rand. E a esquerda não respeita essa minoria que é o próprio indivíduo (a direita também não, mas isso é para outro artigo). Já dizia Sêneca, que toda a crueldade nasce da fraqueza. E é muita crueldade com nosso amigo. Para a canalhice vermelha, Almeidinha não tem sequer o direito de ser um medíocre. Para eles os direitos humanos se aplicam somente aos anti-humanos. Diante da impossibilidade de o comunismo vencer o capitalismo, resta aos comunistas tentar destruí-lo juntamente com toda a humanidade. E como covardes que são, começam atacando a parte mais fraca, o nosso bonançoso e mediano amigo Almeidinha.

Paulo Kogos

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Re: O que distingue as ciências sociais das naturais

Mensagem por Kusanagi em Ter Jan 29, 2013 9:23 am

Eu ia postar na seção piadas, mas pensei duas vezes e achei que aqui cairia melhor. XD



- Traição;
- Ciúme; (E as duas coisas juntas, levando ao assassinato da parceira em algumas espécies de águias e macacos)
- etc. XD

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